Recall

 

Achei conveniente vir aqui para esclarecer ao preocupado leitor que o “autista” em questão na postagem anterior estava perfeitamente ciente de seus atos,  tendo se encaminhado sozinho ao local de abate, ali assediando o meu pobre amigo, que só descobriu a condição peculiar do moço, quando foi avisado dela por um solícito barman (cada vez gosto mais dessa categoria). Meu amigo apenas estranhou o silêncio insistente do rapaz. Mas o resto – garante – era bem normal. E  quem viu,  jura que todos pareciam deveras satisfeitos.

Portanto, ao contrário de ser politicamente incorreta, sou um bastião na luta pelos direitos humanos (toma essa, Marcos Feliciano) e acabo de lançar a campanha: Faça um autista feliz!

Sem mais

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Rain Man

 

Não há sofrimento que resista a um amigo gay.

Você está lá, compungida na sua dor de milênios, sofrendo, se descabelando. Para até de escrever, pra poder sofrer com mais propriedade.

Mas aí, chega o seu amigo gay. Chega no meio da noite, sorrateiro e saltitante como lhe é característico, e ainda da porta, declara:

 

– Hoje eu comi um autista!!!!

 

Aí eu pergunto: dá pra fazer a dilacerada?

 

p.s: ele, aqui ao lado, às gargalhadas, implora ao gentil leitor que não o denuncie à Pestalozzi.

 


de nó de gibeira, o jiló

Eu não sou amiga nem do Chorão nem do Chavez. Mas a coincidência de data entre as mortes dos dois – o inesperado no bojo dos autos – me fez pensar (eu, pessoa à toa) no pitoresco da situação. Obviamente  nenhum deles relacionava o fim do outro a seu próprio fim, e quando o Chorão ouvia um discurso inflamado do Chavez não poderia ele saber o quão intrinsecamente estavam ligados seus destinos. Sendo o contrário bastante improvável, ante o absurdo vislumbre de estar El comandante ouvindo Charlie Brown Jr. Mas um lado nos basta para o efeito demonstrativo que aqui me servirá de exemplo.

Gosto da palavra “destino” porque ela é dúbia. Se de um lado seu significado mais comum remete ao inexorável, por outro, ela é da mais absoluta liberdade. Uma flecha lançada é destinada, destino como lançamento, catapulta, para outros horizontes mais felizes.

Caetano pergunta em “Cajuína”, canção de meus afetos: Existirmos, a que será que se destina?

A que será que se destina? E as vidas possíveis a que não nos destinamos? E as vidas paralelas, flechas, como nós, que caem no mesmo minúsculo ponto do alvo imenso da existência, ou da inexistência? Se soubesse do laço funesto que o unia a Chavez, teria Chorão andado por outros caminhos, ou apenas vigiado, cioso da saúde do Camandante? Que divertida brincadeira das parcas a fiar o meu, o nosso breve pulsar. A que vidas outras terão elas entrelaçado o fio desencapado que me serve de guia pela mina escura e funda, o trem da minha vida?

Mas essas inquietações são nível básico, eu sei. Ainda assim, tocam-me.

Hoje, este blog chegou ao modesto número de 40.000 acessos.

Queria poder dizer à pessoa que eu era quando dei à luz, Mistake Girl, no dia 07 de abril de 2011, que não, não tem volta. Essa é a resposta à pergunta-flecha deste blog. Uma que lancei lá, há dois anos passados, e que hoje cai aqui neste minúsculo ponto do tempo/espaço. A pergunta a que chamei: leitmotiv. Causa primeira, o impulso no arco. SE EU FOR HONESTA, TEM VOLTA?

Não. Não tem.

Para o bem ou para o mal, não tem.

Entrei nessa brincadeira de ser honesta, terrívelmente honesta, cruamente honesta. E fiz deste espaço um fio tão desencapado quanto minha própria existência temporal e aqui contei de mim, bem mais que de mim sabia. E as parcas, sempre à busca de galhofas com as almas que vagam, corpóreas, por este estranho vale, voltaram para mim seus olhos zombeteiros e suas mãos em febril tecelagem, bordaram, livres e caprichosas, meus rumos.

Rumo, flecha, destino.

A minha vida e a sua que me lê agora, e a cada vez em que fez isso, entrelaçadas por este único instante, em que colidimos no éter, sob os auspícios de todos os deuses que há.

Pagãos,  dancemos ao redor de uma grande fogueira a comemorar as colisões.

A minha vida e a daqueles com quem terei a solitária honra de dividir o dia de minha morte.

Entanto, 40.000 acessos atrás, eu não sabia.

Queria acariciar meus cabelos curtos e dizer com voz macia que eu não me afligisse tanto.

Queria contar, em tom de cúmplice fofoca, das pessoas que atravessariam aquela mulher plena de amor de desejo. Que ela esperasse, porque seria tão bom e tão forte e tão extraordinário e tão doloroso. E que a ela aconteceriam coisas tremendas perpassadas pelas pessoas cujos dedos continham cada um dos 40.000 acessos que hoje completou esse blog, uma linha temporal que ela construiria sem saber.

Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro. Nem 40.000 acessos guardados dentro de cada blog.

Será que se então eu soubesse que este era o número que continha a minha dobra de tempo, eu teria sido mais cuidadosa? Que poderia fazer o Chorão se soubesse de seu ocaso dividido com Chavez? Será que eu teria me preparado melhor? Será que teria doído menos? Será que eu teria sido tão absurdamente feliz?

 

Apenas a matéria vida era tão fina.

 

 

 

p.s: Obrigada a vocês, por dançarem essa quadrilha comigo. Que sigamos divertindo as parcas, pois a quem os distrai, favorecem os deuses.

 

 


Fever I’m on fire!

Eis que nesta chuvosa noite de terça-feira, vejo-me com febre.

No meu quarto novo, na minha cama nova, na minha nova condição de vida, sozinha, com febre.

Meditando pra não perder o controle e chamar minha mãe.

Então, me socorre uma música – como tem sido sempre…

A voz brejeira de Peggy Lee cantando Fever! Já tinha citado isso num post anterior. Porque de fato essa canção está entre as minhas referências. Aí fui procurar pra ouvir e me distrair durante a tremedeira e encontrei este vídeo:

 

 

Ver o Elvis em modo sensualizante, não tem preço!

Espetacular, não? Essa eu tinha que dividir e tinha que ser aqui NESTE espaço… É uma mistura de Sidney Magal e Ney Matogrosso… sensacional.

Para além disso e de minha temperatura alta, a canção tem tudo a ver.

Então, deixo o vídeo para vosso deleite e também o link com a letra e a tradução:

 

http://letras.mus.br/elvis-presley/31427/traducao.html

 

Enjoy, it!

Se eu não voltar, era dengue… ou coisa pior! Porque trágica como eu sou, não havia de me contentar com um resfriadozinho básico…

Neste caso:  goodbye cruel world!

 

(mas essa já é uma outra canção…)


quem lhe daria o condão?

Coração independente,
Coração que não comando:
Vive perdido entre a gente,
Teimosamente sangrando,
Coração independente.

(Estranha forma de vida, Amália Rodrigues)

 

peço a meu corpo que não espere

como numa oração, peço a ele que não espere

uso dos mais baixos golpes de oratória

apelo à alma que interceda, e convença este corpo

– estranha forma de vida –

a não esperar

que a espera é feita de desolação

e rezo

minhas mãos juntas em contrição

rogo

a meus seios

que esqueçam do peso da tua mão

e  à minha língua apelo, com fervor eucarístico

que deixe de sentir tuas

texturas

pregas

gostos

os pelos e o cheiro acre das tuas axilas

que minha língua lagarta apreendeu

peço a este corpo que não comando

que não espere

que entenda, como você, que é inadequado

um corpo querer outro outro corpo

assim

inteiro

e mais

 


Memorando

Venho comunicar aos amáveis leitores que brindam-me com gentis e-mails, que de fato estou dando um tempinho do blog. Não porque me faltem idéias. E sobretudo não porque me falte o impulso e a necessidade de escrever – cada vez mais vital. Contudo, quero poupar a vocês e a mim, não fazendo deste um espaço de choração de pitanga, que é, no momento, o que me aprazeria fazer.

Sendo assim, a quem interessar, aguarde. Dias melhores virão. E com eles, meu tesão e minha vontade de falar rasgado, do que vai em mim e no mundo ao meu redor.

Entretanto, agradeço a audiência e a delicadeza!

Beijos em vocês. Não demoro.

 

 


Geni

De tudo o que é nêgo torto, do mangue, do cais do pôrto, eu já foi namorada

E nem assim meu corpo entendeu

Que ele não é só seu

 


 

 

Quero um amor que exista.

Um corpo que pulse.

Uma coisa de verdade, em meio ao banal, ao cerebral, ao boçal.

Quero ser. À margem do que de mim, concluam.

Que me sintam, apenas.

E me tenham.

Clara, Ana e quem mais chegar.

 

 

 

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sem tirar nem pôr

 

 

 

 

 


bruta flor

onde buscas o anjo eu sou mulher