Arquivo do mês: maio 2011

Amo três gestos teus…



Amo três gestos teus quando, senhor,
me incendeias do teu próprio fogo.
Te serves do meu corpo,
minha boca sorves na tua,
me penetras…
És poderoso, vivo, estás feliz.
Mas depois disso cada minuto é meu.



              (Giosi Lippolis, Tradução de José Paulo Paes)


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Exemplificando

Dos 16 aos 19 anos, eu tinha mania de trabalhar em videolocadoras. Gostava do contato com filmes e sobretudo de poder leva-los para assistir em casa. Levava sempre uns três que via quase mudos, de madrugada, pra não acordar ninguém e minha mãe não reclamar que eu estava acordada àquela hora e que meu organismo não ia se desenvolver e que eu não ia crescer (como se eu precisasse crescer mais… uma pessoa que aos 13 anos já tinha 1, 70 m…).

E foi numa dessas madrugadas que vi, pela primeira vez, O destino bate à sua porta (The postman always rings twice), de Bob Ralfeson, um remake feito em 1981 com Jessica Lange e Jack Nicholson e roteiro de David Mamet. A noite corria calma, não fosse a tensão sexual crescente entre Cora e Frank, mas então veio a cena. A cena, meus amigos, em que a tensão vira ação sobre uma mesa. A cena ao final da qual eu estava, e esta é uma descrição real do caso: com os lábios semi-abertos, salivando, o coração disparado e as mãos retesadas. Ah, mamãe, e você achando que a gente não cresce de madrugada…

Quanta coisa uma mesa comporta além de boa comida…

Do mesmo modo que há fucking music, há fucking movies, e esse é um dos maiores. Anos depois, ainda suo só de pensar naquela cena. E Lacan sabe porque estou escrevendo esse post agora, precisamente um dia após descrever um certo tipo de homem que me interessa.

A minha malha de significantes colocou os dois no mesmo saco, o homem que me interessa e o Frank do filme… livre-associação… Fui ao youtube procurar a cena pra postar aqui, mas  não achei. Encontrei, contudo, um outro fragmento, e nele o Frank mostra porque é objeto do meu desejo, o modo como não pede licença para toma-la, o olhar de posse indiscutível e inelutável, e a mão…. ahhhhh…. a mão no pescoço dela, a mão conduzindo, tomando.

Pena que dos anos 70 pra cá os homens vêm sendo criados pelas avós.

Paulatinamente usurpados de suas condições de machos.

Restam os filmes. E quem sabe, vendo-os, um dias eles reaprendam…


The Doors of perception…

 

E há 40 anos morria Jim Morrison… eu tenho 35… precisei dar um tempo no plano espiritual para encubar meu tesão pelo cara e poder encarnar em paz…

 

 

* o título da postagem é igual ao título do livro onde Aldous Huxley conta suas experiências com Mescalina, e de onde Morrison e Manzareck tiraram o nome da banda.


quem poderá culpá-la?


Ah, esse cara tem me consumido…

A mim e a tudo o que eu quis

Com seus olhinhos infantis

Como os olhos de um bandido

Ele está na minha vida porque quer

E eu estou pro que der e vier

Ele chega ao anoitecer

Quando vem a madrugada ele some

Ele é quem quer

Ele é o homem

Eu sou apenas uma mulher.

                                                               (Caetano Veloso)

Não me interesso pela dinâmica Dominador/submissa. Até porque ela só funciona no mundo virtual. Não me interesso pelos símbolos desta relação. Não me interesso por coleiras, por palavras que denotem dominação. Não me interesso por palavras-código. Minha entrega não é nominal. Não é condicionada a uma situação.

Interessa-me a dinâmica macho/fêmea. Interessa-me estar vulnerável ao meu homem. Interessa-me o homem que me toma sem me pedir licença, sem me

pedir desculpas. O homem que me quer porque decidiu que eu sou dele. Ele não precisa de senhas para saber o que fazer, porque me observou profundamente e sabe o que eu tenho para dar a ele. Sabe a medida exata da minha entrega, que por isso, é total.

Não importam as circunstâncias de vida de nós dois. Não importa o tempo que temos juntos. Não importa a cidade ardendo para além de nosso quarto. A este homem eu pertencerei completamente.

Esse tipo de homem que não há. Que o feminismo suprimiu.

Mas eu? Eu sou apenas uma mulher.

Se isso não é romantismo, não sei o que é. Só não creio no pra sempre.

Minhacrença é no total.


politicamente incorreta

 

 

Descobri mais uma razão porque eu não gosto de filme pornô. Todo mundo tem cara de pobre. Odeio ver pobre trepando.