Arquivo do mês: junho 2011

Fecha meu livro, se por agora, não tens motivo nenhum de pranto…

Ando triste. Daquela tristeza que enverga a postura e faz a gente ficar pensando em Manoel Bandeira… porque é uma tristeza de “quem chora, de desalento, de desencanto”. Dessas que viram meio companheiras porque a gente sabe que ainda demora a passar, que exige atitudes que não são simples, enfim… triste pra caraleo.

ohhhh!!! tadinha dela!

Contudo, sabe como é, triste ou não, coisas passam pela minha cabeça. Ah… as coisas que passam pela minha cabeça…

Distraio-me imaginando que tipo de sexo combina com tristeza. Não adianta fazer o jogo dos opostos e achar que sexo oba-oba vai dar um up. Não vai e ainda vai me irritar. Então, o que me aprazeria?

Imediatamente me vem a voz de Chris Cornell cantando “I’m down all time…” é uma boa trilha. Está chovendo… então Etta James mandando Stormy Weather também ia ser legal, mas embora eu ouça as músicas e elas me sugiram sexo, não consigo imaginar muito bem como poderia ser o ato.

Penso que seria lento, sem muitos beijos, sem busca de consolo e de novo penso em Manoel Bandeira: “os corpos se entendem, as almas não”. Seria ótimo deixar meu corpo se entender com outro corpo, sexo com muito contato, outra pele quente, outro corpo sólido, penetração suave, lenta, sem dor, direto ao ponto, ao som de Etta e Chris… olhos fechados, apenas sentindo os atritos, os cheiros desse outro corpo cuja alma não me interessa. E que por isso posso ter inteiro.

Bandeira, sempre.

Assim, teoricamente, nessas minhas divagações, parece que o sexo que combina com tristeza é aquele entre os corpos, somente, porque almas envolvem mágoas. E sexo com mágoa é péssimo. A mágoa inviabiliza o sexo, a tristeza não.

Eu poderia me concentrar e perceber a penetração desde o segundo que a antecede. quando a pélvis dele se encaixa entre as minhas coxas, a ansiedade física e dolorida que sempre sinto nessa hora, úmida e trêmula, entrega, o primeiro atrito da cabeça e então todo o pênis, e poder apertá-lo dentro de mim, criando anéis de pressão em torno dele, a leve dor quando chega ao fundo, e depois, a digna retirada, para começar de novo, devagar, um milhão de vezes, me perder nesse movimento. Coordenar o movimento dele com o meu, erguer os quadris ritmadamente para recebe-lo melhor.

Sem ansiedade pelo gozo, pois é o tipo de sexo em que a maior parte do gozo está ao longo do ato. Sem ansiedade pra nada.

Sentir isso, de modo concentrado, me daria momentos de alívio. Sexo lenitivo.



Inapelavel

Uma festinha em casa, numa varanda fria e com muitas velas, entre amigos que se deixam enlouquecer na segurança uns dos outros, movendo-se ao som do próprio capeta tocando guitarra e sentindo-me a Foxy lady , “a cute little heart breaker” em questão, você se aproximaria lânguido porém firme, e, sem me tocar, sussurraria em meu ouvido com sua voz quase tão rascante quanto sua barba que me encostaria só o suficiente para me seviciar:

“Calma e lentamente
como a morte de uma borboleta,
quero entrar na tua buceta”

(Mario Pirata)

E minhas asas azuis se agitariam para se acalmar num último pouso em suas mãos.


conjurada….

 


Afron – Z

Quando te conheci, já era sua. Você, hiperbólico, já tinha ocupado o meu desejo. Em bytes e mais bytes de masturbação intelectual de cujos detalhes, ainda hoje, 13 anos depois, me lembro. Foi com você dentro de mim que gozei pela primeira vez. Foi com você na minha vida que experimentei a sensação pavorosa de ser capaz de matar, de morrer. Foi com você que soube o que era desejar independente de qualquer coisa, independente de quem e como você era. Desejar uma idéia.

Sempre que eu desejo – e eu desejo sempre – parte deste desejo é também seu, como um dízimo que pagarei eternamente pelo desejo supremo que você me ensinou a sentir.

Hoje você não é mais desejo, e como Itabira, o teu retrato na parede nem dói mais. Até te acho um tantinho patético. Cuidei para que fosse assim. E enquanto meticulosamente extirpava você da minha libido, eu avisava a mim mesma de que aquilo era só mais um detalhe, porque “de vez em quando você vai lembrar de mim”. E lembro.

Mas não dessa pessoa em que eu te transformei, não essa construção da minha razão, esse amigo com quem falo com tanta freqüência. Lembro de nós, dos meus olhos fechados, olhando pra dentro de mim, tentando entender de onde vinha aquele gozo. Lembro da suas mãos preguiçosamente pousadas nas minhas coxas, segurando os meus cabelos que nunca mais foram tão longos. Lembro do seu beijo calmo demais para me deixar daquele modo. Lembro de pensar que não podia ser assim, e que aquilo como estava não ia bem.

Lembro de escolher minha sanidade e decidir construir com você o que temos hoje.

Mas de vez em quando lembro de que já fomos fogo. Meu corpo não esqueceu. E o gozo, nunca mais houve.


é muito pouco

Não me olha assim
porque eu sou forte.
Sou o que quero ser
e sei o que quero de você.
Me atiça como fêmea
porque você é um macho
e eu quero tua virilidade,
tua violencia,
o peso da tua mão,
a força do teu instinto.
Eu quero que me vença,
que me violente,
que rasgue minha pose de seria,
que me arrebate,
me tire o tapete,
me ponha no espelho
e me mostre nua.
Que destrua minha sensatez,
que devaste meu centro,
que corrompa meus valores.
E não me chame de puta
porque é muito pouco.
via
ana.mmk

verdade…

“Eu preciso é ter consciência
Do que eu represento nesse exato momento
No exato instante na cama,na lama,na grama
Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos..”



Gonzaguinha expõe questões sexuais de um modo até bem naif nessa canção…. mas essa reflexão acima tem TUDO A VER. É mesmo um Ponto de Interrogação.


http://letras.terra.com.br/gonzaguinha/46285/


Que Apolo, que nada…

Dionísio, o sátiro, o fauno, metade bode, metade homem, o deus do vinho, do princípio da dissolução, a voz das torcidas, o desvanecimento, os excessos sexuais.

Sempre morri de tesão por Dionísio. Dionísio perigoso, Dionísio maldoso. Dionísio pega as ninfas, em seus rios entediantes e trepa com elas por trás, sujando suas roupas etéreas e dando-lhes gozos animais.

pronto para dar o bote nas inocentes Ninfas do lago…

Eis que estes dias assisti a Sa Magestè Minor, de Jean-Jacques Annaud, e coube a Vincent Cassel o papel de Dionísio, meu deus, MEO DEOS…

 

Quem, eu? (docemente contrangida)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E agora, ando por aí, com aspirações a zoofilia…

 


Fuck me better

 

Adoro quando tiram as palavras da minha boca e dizem de um modo melhor do que eu diria. Pornografia é bom, mas não é a realidade.

 

http://papodehomem.com.br/fuck-me-better/


pra você que vive na bolha…

Um amigo muito, muito especial, me sugeriu uma canção à guisa de fucking music.

Por acaso, era uma canção muito querida para mim. She’s so heavy. Integrante do Abbey Road, a sua gravação foi a última vez em que os quatro Beatles estiveram juntos em estúdio. É do Lennon, e o que eu mais gosto dela é a composição das guitarras dele e do Harrison que lhe rendeu o título de pioneira do heavy metal, ainda que alguns achem que esteja mais pra progressivo, por causa da duração.

 

MAS, isso aqui não é um tratado musical, e, a razão desta música figurar aqui é, além da procedência da indicação, justamente esta duração… são 8 minutos… que fazem qualquer rapidinha parecer eterna… uma rapidinha bem lisérgica… o que me lembra o meu amigo especial.

I want youI want you so bad

It’s driving me mad
I want you so bad babe…
Yeah
She’s so heavy…