Fecha meu livro, se por agora, não tens motivo nenhum de pranto…

Ando triste. Daquela tristeza que enverga a postura e faz a gente ficar pensando em Manoel Bandeira… porque é uma tristeza de “quem chora, de desalento, de desencanto”. Dessas que viram meio companheiras porque a gente sabe que ainda demora a passar, que exige atitudes que não são simples, enfim… triste pra caraleo.

ohhhh!!! tadinha dela!

Contudo, sabe como é, triste ou não, coisas passam pela minha cabeça. Ah… as coisas que passam pela minha cabeça…

Distraio-me imaginando que tipo de sexo combina com tristeza. Não adianta fazer o jogo dos opostos e achar que sexo oba-oba vai dar um up. Não vai e ainda vai me irritar. Então, o que me aprazeria?

Imediatamente me vem a voz de Chris Cornell cantando “I’m down all time…” é uma boa trilha. Está chovendo… então Etta James mandando Stormy Weather também ia ser legal, mas embora eu ouça as músicas e elas me sugiram sexo, não consigo imaginar muito bem como poderia ser o ato.

Penso que seria lento, sem muitos beijos, sem busca de consolo e de novo penso em Manoel Bandeira: “os corpos se entendem, as almas não”. Seria ótimo deixar meu corpo se entender com outro corpo, sexo com muito contato, outra pele quente, outro corpo sólido, penetração suave, lenta, sem dor, direto ao ponto, ao som de Etta e Chris… olhos fechados, apenas sentindo os atritos, os cheiros desse outro corpo cuja alma não me interessa. E que por isso posso ter inteiro.

Bandeira, sempre.

Assim, teoricamente, nessas minhas divagações, parece que o sexo que combina com tristeza é aquele entre os corpos, somente, porque almas envolvem mágoas. E sexo com mágoa é péssimo. A mágoa inviabiliza o sexo, a tristeza não.

Eu poderia me concentrar e perceber a penetração desde o segundo que a antecede. quando a pélvis dele se encaixa entre as minhas coxas, a ansiedade física e dolorida que sempre sinto nessa hora, úmida e trêmula, entrega, o primeiro atrito da cabeça e então todo o pênis, e poder apertá-lo dentro de mim, criando anéis de pressão em torno dele, a leve dor quando chega ao fundo, e depois, a digna retirada, para começar de novo, devagar, um milhão de vezes, me perder nesse movimento. Coordenar o movimento dele com o meu, erguer os quadris ritmadamente para recebe-lo melhor.

Sem ansiedade pelo gozo, pois é o tipo de sexo em que a maior parte do gozo está ao longo do ato. Sem ansiedade pra nada.

Sentir isso, de modo concentrado, me daria momentos de alívio. Sexo lenitivo.

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Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

10 respostas para “Fecha meu livro, se por agora, não tens motivo nenhum de pranto…

  • Baco

    Que blog bacana. Leitura divertida, prazeirosa, conectando sexualidade a referências da cultura pop, literária, cinematográfica, musical. Aliás, adoro a sequência “I want you”, “She´s so heavy”, ainda mais precedida por “Something”…
    Não vou comentar nada em particular, pois fiz apenas uma leitura geral, mas posso dizer que o percurso feito foi dos mais agradáveis.
    Até!

    • mistakegirl

      Muito obrigada pela visita, e agradeço, mais do os elogios, o fato de ter entendido o processo. Vou pensar se acho Something uma fuck music… isso exige concentração. No mais, já que é Baco, sinta-se homenageado, pois no post “Que Apolo, que nada”, deixo bem claro o que penso sobre este Deus, em particular. Volte sempre, pois interlocução é sempre legal. Valeu! Beijo.

      • Baco

        Não diria que Something é uma fuck music, mas diria que é uma ótima introdução. Aliás, curiosamente trilhas nunca fizeram parte das minhas transas. A coisa se centra nos sons e palavras do momento. Mas gosto de pensar em músicas ou trilhas que poderiam compor momentos excitantes. Uma que eu gosto da sonoridade e da interpretação, apesar de talvez um tanto inusitada, é “How soon is now” dos Smiths.
        Aliás, como é essa concentração a que vc se referiu?? rsrs
        Beijo.

  • Baco

    PS: Pq mistake girl??

    • mistakegirl

      Mistake Girl…. já que gosta – e percebe – referências, tem duas que respondem a essa pergunta, a primeira é de Drummond, cujo, ao nascimento, disse um anjo: “vai Carlos, ser gauche na vida”… a outra é de Chico, sobre este mesmo poema: “quando eu nasci veio um anjo safado, um chato de um querubim, que decretou que eu tava predestinado, a ser errado assim….” E é isso…. Mistake Girl… é a garota pra quem esse mesmo anjo disse a mesma coisa… pelo menos estou em boa companhia…

  • Baco

    Hum, entendi. Imaginava que a resposta fosse por essa linha. Aliás, será legal ver quem são as suas boas companhias… Aliás, ficarei acompanhando atentamente esse processo.

  • Baco

    Fui indelicado e um tanto egoísta e nem mesmo me atentei ao fato de vc mencionar que este post é fruto de um momento ruim que vive.
    Espero que o supere…
    Beijo.

  • Vinicius K.

    Adorei o seu comentário recente lá no Pequenos Delitos.

  • Endosso « Mistake Girl

    […] causa disso, eu, olhando as estatísticas, identifiquei que este  post, já antigo, foi lido […]

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