Arquivo do mês: outubro 2011

né?


Primeira Emenda

Eu, Mistake Girl, sou parte de um todo. Sendo o todo, esta pessoa integral que me dá alma. Mas dela sou a parte promíscua, sacana, volúvel, provocativa e reminiscente. Sou libertina. Sou terrível.

Escrevo sobre tudo e sobre ninguém. Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também.

Sou mentirosa ou, no mínimo, imaginativa demais. Falo de coisas que existiram, de coisas que não existiram, de coisas que eu queria que tivessem existido, de pessoas reais, de pessoas imaginárias, em geral não me dirijo a ninguém especificamente e, o mais importante, sou um exercício literário! Movido por tesão, um tesão que excede, exacerba e transborda desta, de quem sou parte. Mas sempre, um exercício literário.

A única coisa que justifica a minha existência é a minha liberdade de expressão. Liberdade total. Não me preocupam suscetibilidades, mal entendidos, julgamentos. Qualquer semelhança com a realidade, é mera coincidência. Ou não. Mas se eu não existo, como saber?

Não nos leve a sério, nem a mim, nem a você. Não creia, por nenhum minuto que esta ou aquela palavra, te pertencem. Não creia no meu afeto, porque La donna è mobile.


Virtual

E assim, entre um assunto e outro, quando já não mais esperares, baixarei a guarda e direi que queria mesmo era, em silêncio, abrir as pernas para ti.

Recuperado do susto, receoso de que te percebam o coração no peito, contarás que cai aí uma chuva forte e barulhenta e o dia já não tem sol, e que me querias perto para me amares. Um fazer calmo, sem mais do que todo o tempo que houver, para fazermos. Para que me sintas, me busques, me toques o corpo.

Então saberás que não alcanço calma. Que não posso mais prescindir de absorver-te em mim e latejar ao teu redor. A quem nos observe, pareceríamos imóveis, mas entre nós, todo o movimento do mundo, até que desfaleças, sem poderes me fazer parar.

Sei que não farias por onde aquilo terminar. E que louco estás a imaginar-me molhada a prender-te e apertar-te. Imaginando-me gozar um gozo ao qual me conduzistes, tão intenso que trêmula restarei no teu colo.

Eu te ofertaria a minha imagem e dirias, gentil, que sou toda como gostas e amas, e que me queres. Que sou linda e delicada e que não
crês que podes ver-me tal como lhe apareceria então.

Decerto dirias que anseias pelo meu cheiro e pelo meu gosto na tua língua. E suplicarias aos céus que me concedessem a ti agora, logo. Então eu te diria que minha ânsia é por ti, ainda que me extraiam todos os gozos. E que seria tua quando quiseres.

Dirias, estou certa, que neste caso, eu seria tua de vários modos, porque é em mim que queres estar, na minha carne que amas, nas minhas virilhas onde queres esfregar-te, lamber-me. Quererias, estou certa, entrar em mim. Estar em mim. Ficar em mim. Jazer em mim.

E após o silêncio aparvalhado de nossos desejos, dirias que mais não sabes, do que pensar em mim, e querer-me e, olhando para a minha imagem dirás uma vez mais que eu sou toda como quisestes, e que amas o delicado tom de rosa com que me notavas. Dirás: escorra-te em mim até que eu me afogue em ti, e não haverá lugar que eu não tocarei, olharei, examinarei, até encabulares. Quero tuas pernas abertas para mim, sobre mim, comigo dentro.

Assim, e somente assim, eu confessaria que minha intenção é provocar em ti o que provocam as cadelas no cio aos cães, de tal feita que tu te agites e rompas as correntes, te machuques no arame, pules os muros, até chegares em mim fazendo-me a fêmea tua, território teu, que demarcarás inequivocamente com cada milímetro do teu pau, irracional, animal, primal.

Diante do que, me solicitarias a carne, as dobras e cada pêlo deste corpo que farás teu. Reclamarias que nenhum fluido escorresse do meio de minhas pernas sem que antes te fosse estendida uma gota a experimentar.

E me dirias do desejo de ajoelhar-te por trás de meu corpo rendido, de desnudares-me sob a calcinha a morder e cheirar. E dirás: menina, eu te como e te como e não paro mais de te comer. E gozo em ti, pulsando, no fundo de ti. E o dia te passará escorrendo e vez por outra vais sentir e lembrarás que eu te comi. Que sou o teu homem. Como eu te quero, amor meu.

E a mim restaria pedir que viesses, pois cada latejar da minha vontade, tem sido teu.

E tu te dirás fraco de tanto querer-me. Debilitado da necessidade que tens de mim.

Então, penalizada pelo reconhecimento desta urgência, direi que também eu quero-te muito. Inteiro, forte, todo, total, dentro. E que este encontro faça legitimar o mundo.

E dirás que olhas meu rosto e queda-te incrédulo. Pois bastaria que só tu pudesses sentir o que sentes, mas quero-te eu também – acreditas, enfim. E só tens que vir a mim, ao teu território. E que uma vez ali chegado, não quererás sair, porque então tudo fará sentido. Junto ao meu corpo, minha carne, sob este meu olhar, vais aspirar o teu primeiro ar. Dirás que me quer para sempre a fazer amor contigo.

E diante da minha imagem molhada, quererás mais. Quererás chupar-me, sorvendo, para que eu mais escorra e quando tu, não mais a lamber-me, entrares em mim, devagar, lento e insistente, de lá sairá apenas para novamente aproximares teu rosto, tua língua, e em seguida darás lugar ao teu pau novamente. E dirás ainda que se nada mais visses, nada mais vivesses, o que aconteceu contigo nestas últimas horas já terá justificado tudo.

E depois de uma breve pausa, desculpando-se, dirias que o mundo real teima por cavar frestas e entrar na sala escura em que estás imerso comigo.

Eu te diria que fosse, mas que soubesses que a muitos, porém finitos, quilômetros, há uma mulher a pulsar por ti.

E então, como Paul Éluard, dirás: “enlaça meu coração na curva do teu olhar, e se já não sei mais quem sou, é que teus olhos não me viram no passado”. Eu só sei que te quero, e que te amo.

E iremos.

E toda a intensidade dos primeiros amantes do mundo desvanecerá no tempo que transforma todo o amor, em quase nada. Tempo que por esta via, é sempre significativamente menor que o tempo real.

Mas de vez em quando, eu sei, como na canção, lembrar-te-ás de mim.


Harmonização

Hoje comi um Thai Curry de camarão.

Estava bom, faltava-lhe porém um acento ácido, e algo doce.

Como a quase tudo na vida.


Ouça um bom conselho…


Sentimental

Publico este sob demanda de uma amiga pra lá de querida. Adorei isso de ser assim… um correio do amor!! Aí está, minha querida.

Pedido

Não vou ser sempre possessiva, ciumenta, egoísta e insegura ao ponto de exigir que vc me prove a todo momento que eu sou especial. E também não vou ser sempre liberal, amar, compartilhar, topar tudo e me dar inteira sem precisar nada receber em troca.

Eu tenho minhas delícias…mas também minhas dores.
Tenho minhas expansões, mas também meus limites.

Não vou ser sempre santa e nem sempre puta.

Vou ser eu mesma…cheia de coisas boas e bonitas…mas também cheia de falhas, infantilidades e comportamentos depressivos.

Eu quero ser a mulher de um casal de verdade (ou de vários casais de verdade…) casais que trocam…que fazem troca-troca…onde não há sempre o mesmo papel fixo prá um e prá outro.

E, no momento, quero que vc seja o meu homem.

Se você topa ? essa é uma pergunta que eu te farei todos os dias…e todos os dias você poderá responder sim ou não.

Enquanto isso, vou me descobrindo…e me mostrando bonita e feia prá você…no direito e no avesso…alternando as posições, como eu gosto de fazer…como vc me ensinou a começar a fazer.

Amo você e espero suas respostas.

Marina… do Juan


Boletim Extraordinário

Atenção, atenção!

Acabo de saber que entre os amigos ouvintes, à espreita, encontra-se alguém que não é mineiro mas come quietinho, do mesmo modo como circula aqui, sorrateiro.

Imagino-o observando-me calado com sua inteligencia aguçada e seus lindos olhos verdes, que tantos distúrbios e delícias já me causaram.

Tal cavalheiro fez e faz parte da identidade civil da escriba, que, preocupada com suas declaradamente assíduas e mudas visitas, correu a ler a si mesma, a ver se não havia nenhuma grande mentira, presepada ou rabo de fora, que pudesse ser publicamente desmascarada por ele, tão conhecedor de sua história, causando a humilhante derrocada de Mistake Girl.

E ao ler-me, notei que não só não há nada com este teor, como existe uma postagem especificamente relacionada a esta intrigante pessoa, dentre outros relatos cujas histórias e personagens ele conhece ou mesmo, tomou parte de algum modo. Pasmo que não tenha se sentido tentado a intervir.

Enfim, é chegado o dia em que minha identidade (nem tão) secreta colidiu com minha realidade.

E o que isto gerou?

Tesão.

Porque vocês sabem, tudo nessa vida me dá um certo tesão. Menos quando o Garotinho aparece na televisão ou quando mordo cartilagem de frango, ou ainda, quando o chocolate derrete dentro da minha bolsa.


Epitáfio


Coisas Íntimas

Certa moça contou-me que há determinados sonhos, não necessariamente eróticos, que lhe resultam em gozo.

Vejam vocês o requinte de tortura a que uma mulher pode submeter outra. Disse que são “longos orgasmos, daqueles fisiológicos, em que se sente os músculos da beirada da vulva batendo palmas, e o cuzinho piscando”.

Eu mereço saber disso?

Como o diabo faz ora com o derrière do cristão, acordei agora, no meio da noite, após um sonho que merecia um orgasmo daqueles. Mas não. Mas não. Como eu piquei salsinha na tábua dos dez mandamentos, parece que fui banida do mundo dos gozos sonhadores.

Quero saber: sou só eu a frígida onírica??

A revolta toma conta do meu ser nesse momento, porque tudo o que eu precisava era dessa coisa de vulva (elegante a minha amiga, não?) batendo palmas e músculos piscando. Mas não. Mas não!

Todavia, como isso aqui não é o muro das lamentações, vou contar meu sonho.

Dormia eu o sono matinal dos justos e notívagos quando adentra a minha casa, a me chamar, um certo rapaz. Assustada com a inconveniência da visita naquele momento e pelo despertar incomum, fechei-me no banheiro e levei-o para dentro do box, onde passei-lhe uma descompostura em meio à qual, talvez por não saber o que fazer para me calar a boca, o espirituoso moço beijou-a.

O rosto dele era uma mistura de vários rostos. Ele não me disse nada, também nada perguntou. Mas era ele. Que eu quero tanto. E durante o beijo, do qual me lembro de não querer abrir mão, conquanto de fato aborrecida, pôs-se a virar-me, e foi me inclinando e, ainda sem nada dizer, entrou em mim.

Eu levei um susto, não pela situação, porque nos sonhos a gente nunca se preocupa com o que deve. Mas porque a sensação era muito boa. Era boa demais. E rara. Do tipo que só paus com consideravel diâmetro conseguem provocar tão rápido. Não que os outros não consigam, apenas requer um pouco mais de empenho.

Ele ficou ali me comendo pelo que pareceram horas (ai, os sonhos!), repetindo aquele movimento quase sem alterar o ritmo. E eu com medo de me mexer e tudo se desfazer. Uma Trepada Olho Mágico, manja, aqueles livrinhos que a gente fica vesgo olhando? Então, desse jeito! Eu ali, de olhos vidrados, numa transa que desde a primeira metida me levou a um patamar pré-orgástico, sensação até agora muito vívida, quando me dei conta de que faltava algo. Lembro de me perguntar: e agora, o que acontece? Isso me deu consciência de que era um sonho, e, acordei.

Sem gozar. Sem palmas. Sem piscadelas. Sem retrato, sem bilhete. Sem luar e sem violão.

Só eu, molhada, na noite tão muda quanto o meu amante, sentindo um latejar que reclamava a sua participação.

Mas não. Mas não.


Odeio contrariar o querido Barão de Itararé que vaticinou: de onde menos se espera, daí é que não sai nada mesmo. Uma fonte inesperada revelou-se um manancial de frases antológicas!

Somente o blog da Mistake traz até você, minha amiga, o que há de mais fino no mundo da putaria. Em edição capa dura e com filigranas douradas!

Hoje, na promoção, esta brilhante pérola da sabedoria popular que não requer prática e nem habilidade, a mamãe se diverte e o papai também pode e deve usar. Observem:

O amor é belo. Mas o pau tem que estar duro!

Aguardem, para muito breve novo boletim extraordinário do que se ouve por aí.