É improvável, é impossível

Poucas sensações me submetem a maior angústia do que desejar alguém que por circunstâncias, ainda que temporárias, ainda que justas, eu não possa ter.

O maravilhoso reino da internet é pródigo em criar estas situações.

Escrever num blog o que eu tenho a dizer, sem necesseriamente precisar ter respostas para aquilo que por princípio estou lançando para todos e para ninguém me pareceu uma maneira interessante de me proteger deste tipo de coisa.

E em certa medida tem dado certo. O que ocorre é que eu não preciso ficar falando e vendo putaria para desejar alguém. Meu desejo se dá num estrato meio incipiente e esvanecido. Se constrói com palavras colocadas aqui e ali. Atitudes inesperadas. Virilidades indisfarçadas, ainda que nunca deliberadas. E a mais variada gama de coisas estranhas. Quando dou por mim, lá estou, tomada pela Peggy Lee cantando Fever!

E aí, amiguinho, posso dar pra meio mundo que de nada vai resolver, porque o meu desejo é pessoal e intransferível e para sossegar é uma lenha.

Estou dizendo isso porque vivo combinando comigo mesma que vou ficar na minha, que não vou dar assunto porque a louca do sexo à moda antiga sou eu. E as pessoas em geral, tão bem adptadas às novas tecnologias, parecem se sentir muito satisfeitas com palavras e punhetas.

Não é o meu caso. Eu sou a louca sexo à moda antiga. Talvez esse amor incondicional que eu tenha por gente, me faça quere-las inteiras, quando eu decido assim. Sou um ser antropofágico. Então tenho que ficar o tempo todo me lembrando de não perder a linha. Porque eu tenho uns surtos de frustração meio bravos de segurar e quer saber? Prefiro assim.

Por isso, falemos do tempo e dos expressionistas. Falemos da arquitetura gótica. Falemos sobre o quão lúgubre e magnífica é a literatura Russa. E da pena que foi o desaparecimento de Robert Jonhson.

Mas nos abstenhamos, eu vos peço, daquilo que não podemos bancar.

Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

7 respostas para “É improvável, é impossível

  • Trodat

    Sei bem o que é isso, garota! As paixões platônicas, os amores impossíveis e inviáveis, as fodas idealizadas, irrealizadas e perdidas. As fantasias e as frustrações. O custo alto do fazer e do não fazer.

    E me lembrei do filme Crossroads e do Robert Johnson parado na encruzilhada, vendendo a alma ao diabo para tocar aquele blues que faltava.

    Que coisa, hein?!

  • mistakegirl

    Pois é, na minha frustração sou bem capaz de ir àquela encruzilhada e vender minha alma à preço de banana. Por isso prefiro a cena do Ralph Macchio com aquela carinha de moleque detonando o Stevie Vai com uma música clássica. Esses jogos de poder. O caso é sempre acabo me ferrando, Parei com isso, também. Melhor deixzr minha alma ao meu alcance.

    • Trodat

      Numa outra ocasião, depois daquela sapata furiosa, me apaixonei perdidamente por uma mulhar casada e virtuosa. É lógico que não ia querer coisa menos complicada, né?! O fato é que, depois de muitas idas e vindas, sofrimentos e dificuldades gigantescas, acabei por surtar, e numa bela tarde, partir para o famoso dá ou desce. Invadi o prédio onde ela morava, subi o elevador e toquei a campainha, disposto a matar ou morrer. Mas acho que papai do céu estava de vigília nesse dia e resolveu poupar da minha saúde física, já que a mental tinha ido prá cucuia há muito tempo. Pois não tinha ninguém em casa, ninguém atendeu à campainha…

      • mistakegirl

        Pobrecito! Óssó, escreve um post chamado Os amores impossíveis de Trodat que eu publico aqui, mas tem que falar da sapata furiosa (aliás, ela cospia ou engolia?), da vituosa, passando pelo ornitorrinco (tenho certeza que houve um), começando pela Maude, do Ensina-me a Viver, que você tá com um jeitão inequívoco de Herald….

  • ela, agaijota

    (quatro dias querendo te escrever, e que é do tempo? Já nem sei mais se é aqui mesmo que deveria ser. Sendo ou não, agora vai.)
    Esse mundo anda mesmo muito esquisito. Essa solidão disfarçada de alegria pública, publicada, compartilhada. Essa estranha proteção que a virtualidade nos oferece, como se pudéssemos ser pra sempre anônimos. Essa infinidade de bundas, coxas, peitos, bucetas e caralhos em corpos acéfalos, desfacelados. Essas pessoas indistintas. Esse excesso de auto-estima, como se fosse desde sempre um valor inquestionável. Eu não consigo escrever “auto-estima” sem ter um ataque de riso, lembrando daquela loira horrorosa cantando agudissimamente, com toda fé-que-deus-lhe-deu, “auto-estima, que beleza”.
    Que beleza…
    Eu, aqui com minhas neuroses feminis, minha adorável histeria, meu palavrório sanguíneo, fico pensando (e lembro-me de você) que devia ter nascido em outro tempo, sabe, porque gosto mesmo é de trepar com gente-pessoa, cabeça-corpo-membros, que tem boca de dizer e calar, olhos de gostar, ouvidos sem pálpebras, pele e pelo que arrepiam, cheiro, calor. Sexo que começa no primeiro olhar, aquele que me derruba dos meus saltos e desconcerta meu discurso. Aquele que requer coragem de permitir e vontade de proporcionar, e que existe somente na delicadeza e generosidade da dedicação. Trepar é estar a serviço, nos aléns, nas infinitudes. Acho que por isso sexo e comida são quase a mesma coisa, porque são simultanea e inseparavelmente desejo e amor.
    E aí é que fode tudo, né? Como é que faz? O mesmo mundo que enche de putaria nossos poros, nunca esteve tão careta e covarde. Podemos entrar num chat agora e botar meia dúzia de paus e/ou bucetas na nossa cama, mas é muito difícil achar alguém que se disponha a correr o risco de viver.
    Claro, tem gente que se contenta com palavras e punhetas. Eu quero é mais. E sei inclusive que isso significa sofrer, porque toda escolha demanda uma renúncia, e não tem jeito de não ser assim.
    Folgo em saber que ainda existe gente assim.

    Em tempo: sua requisição será atendida, muito em breve. Prometemos cumpri-la com muita diligência e prazer. Enquanto não conseguimos executar o feito, vamos planejando tudo devagarim, com esmero, e temos falado em você, em horas de carinho. Bom também.

    • mistakegirl

      Menina, estou aqui nesta rara manhã de sono perdido absolutamente pasma com o que você escreveu. Os caminhos virtuais, embora nos proporcione encontros, não nos proporcionam beleza, mas ouça sua camapainha tocando e um lindo, lindo bouquet de flores lhes sendo entregues, Com um beijo meu.

  • Fever I’m on fire! | Mistake Girl

    […] voz brejeira de Peggy Lee cantando Fever! Já tinha citado isso num post anterior. Porque de fato essa canção está entre as minhas referências. Aí fui procurar pra […]

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