Perdidos na Selva

Meu avô, que ouviu do pai dele, dizia sempre ao meu pai, que a mim, repete à miúde: “não fique à toa. Ande à toa. Você pode achar um dinheiro, um rumo…”

Filha obediente, com o fim de tirar do diabo a serventia de oficina em que anda convertida minha mente, depois de mais uma noite insone, saí pelo alvorecer à toa à mó di trocá uma energia com as árvores, uma parada super zen a nível de interação telúrica, enquanto ser humano muito terra que sou, manja? Altos prótons…

Íamos eu e o IPod, naquela sinergia, aquela descontração, trilha adentro, Jagger esguelando seus Wild Horses, e o mundo quase parecia bom e justo quando um movimento na beira do mato ressaltou meus aguçados instintos de Jane das selvas.

Pronta para me defender a golpes de gatorade da suçuarana com quem esperava ter de me haver, sentindo-me o Chuck Norris, dirigi meu olhar sagaz para a moita que se movera e eis que avisto um turista, desses bem brancos, de boné e óculos escuros e todo estragado por um sol que certamente não pegou aqui, nesse meu pé de serra úmido e mais esquecido pela primavera-verão que a féchion uíque de janeiro.

Era um desses gringos middleage, com uma cara aparvalhada, nitidamente indeciso se minha presença era ou não era caso de interromper a mal-disfarçada punheta.

Nos encaramos uns segundos por trás de nossas lentes escuras, e eu me dei conta da vulnerabilidade de minha posição o que me fez acelerar o passo, ao mesmo tempo que, encorajado pela minha fuga, o homem mudou de posição decidido a se exibir, mas felizmente meus olhos foram poupados, pois que já miravam, seguros, o tortuoso caminho de volta.

Agora você repare, meu amigo. Se um sujeito despenca lá das entranhas do Iowa (improvável, mas fica bem, no texto) para se masturbar às sete e meia da manhã na floresta atrás da minha casa nos grotões mais molhados do estado do Rio de Janeiro, como é que eu, euzinha, não vou encontrar o meu tesão?

Nem que seja para que haja justiça no mundo.

Acho que não era bem isso que meu bisavô, meu avô, e meu pai, tinham em mente, mas, por bizarro que tenha sido, sempre rompe a inércia…

Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

Uma resposta para “Perdidos na Selva

  • Baco

    Bom ver que retomou o tesão e a motivação que move a Mistake. Não tem ideia de como (creio que digo por mim e outras pessoas) essa interação contigo é gostosa.
    Abençoado seja o turista punheteiro… hahaha
    Beijo, querida.

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