Comungar

Há madrugadas em que acordo como sacudida, incapaz de novamente conciliar o sono de que minutos antes era cativa.

Advém desejos loucos de súcubo.

Um pequeno pedaço de chocolate que como uma hóstia é deixado imóvel sobre a língua tépida, e derrete, macio, quente e doce. Assim é meu corpo, uma hóstia não consagrada, à espera de seu íncubo noturno.

Derretendo.

Pulsando.

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Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

6 respostas para “Comungar

  • Trodat

    hummm… você tem sonhos e desejos com súcubos e íncubos? Simultaneamente?…. gostei desse menage… deu vontade de participar…

  • Maria e João

    Ora veja…
    Nós aqui, pensando em te sugerir momentos celestiais… e você dedicada a gastar sua energia sexual com o submundo! Rsrs…

    • Trodat

      Pois é Maria, não me lembro bem da história, vocês duas podem me corrigir, mas reza a lenda que os íncubos e súcubos são aquelas criaturas que invadem os sonhos e gastam toda a nossa energia sexual, podendo em casos mais graves levar até à morte do sonhador.

      Ou em bom português, exaustão por excesso de punheta e siririca. Certo?

  • mistakegirl

    Meninos, como eu já expressei aqui, gosto demais de Manuel Bandeira. Meu primeiro contato voluntário com ele foi magistral, através do Estrela da Vida Inteira, por volta dos 17 anos… lia com o Koogan Larousse ao lado (houve um tempo em que não tínhamos o Google, sabem?) para tentar entender as referências e uma delas foram os súcubos, através deste poema:

    O SÚCUBO
    Quando em silêncio a casa adormecia e vinha
    Ao meu quarto a aromada emanação dos matos,
    Deslizáveis, astuta, amorosa e daninha,
    Propinando na treva o absinto dos contatos.

    Como se enlaça ao tronco a ondulação da vinha,
    Um por um despojando os fictícios recatos,
    Estreitáveis-me cauta e essa pupila tinha
    Fosforescências como a pupila dos gatos.

    Tudo em vós flamejava em instintiva fúria.
    A garganta cruel arfava com luxúria.
    O ventre era um covil de serpentes em cio…

    Sem paixão, sem pudor, sem escrúpulos – éreis
    Tão bela! e as vossas mãos, fontes de calefrio,
    Abrasavam no ardor das volúpias estéreis…

    Uns anos mais tarde, já na faculdade, estudando demonologia medieval, tive novo contato com essas criaturas, bem como com os íncubos… enfim… perseguem-me.

  • Maria e João

    Fugindo um pouco do assunto das criaturas sobrenaturais… você já viu o curta documentário sobre o cotidiano do Manuel Bandeira? “O poeta do castelo”… vi esses dias, achei bem legal.

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