Arquivo do mês: dezembro 2011

Gosto de axilas.
Gosto de dobras e reentrâncias.
Gosto de pêlos, gostos e cheiros.
Gosto de gente onde gente é mais gente.

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(…) sussurrava palavras que já disse mil vezes antes, para mil homens. Mas isso não importa. Antes de mim não houve homens e depois também não haverá. Não é sua culpa se não tem qualquer frase jamais usada para o que sente… é suficiente que sinta.

Henry Miller, Opus Pistorum


Search

Estou pasma. Primeiro em notar o que as pessoas escrevem no Google. Segundo por não poder ruborizar, já que a constatação seguinte é que o que elas escrevem, as direcionam para este respeitavel blog.

É que há este “dispositivo fofoqueiro-estatístico” no wordpress que acusa a proveniência das visitas. Trocando em miúdos, aparece o que a pessoa digitou no Google e que a direcionou para cá.

Eu frequentemente penso: não, não é possível! Não escrevi nada que contenha essa frase, ou essa palavra. O Google tá de sacanagem com essa alma temente a Deus. Aí vou lá no oráculo, digito as taras mais obscuras, e… olha a Mistake aí, gente!

Quequéisso?

E olha que eu nem escrevo sobre práticas pouco ortodoxas, muitas das quais, aliás, nem sempre merecem minha aversão.

Imagina se eu contasse do dia em que fiz uma ovelhinha prenhe recém tosqueada me chupar…

(a-hááá! essa foi só pro caso de alguém digitar no Google: “mulher chupada por ovelhinha prenhe”. Não devo frustrar meus leitores, vocês sabem.)


Rá! pra todo mundo

Aí, que foi que aconteceu?

Efeito dominó!

Fui falar em “Telúrica”, fiquei cantarolando Baby Consuelo, aquela história viajandona, e imaginei o Pepeu Gomes (que sempre achei um pedaço) penetrando os chacras, e foi me dando uma coisa que sobe uma coisa que desce e pronto!

I’M BACK, BEIBE!

(não a Consuelo, por favor, que eu não tenho saco)

To pensando em pintar o cabelo de laranja. De novo.


Perdidos na Selva

Meu avô, que ouviu do pai dele, dizia sempre ao meu pai, que a mim, repete à miúde: “não fique à toa. Ande à toa. Você pode achar um dinheiro, um rumo…”

Filha obediente, com o fim de tirar do diabo a serventia de oficina em que anda convertida minha mente, depois de mais uma noite insone, saí pelo alvorecer à toa à mó di trocá uma energia com as árvores, uma parada super zen a nível de interação telúrica, enquanto ser humano muito terra que sou, manja? Altos prótons…

Íamos eu e o IPod, naquela sinergia, aquela descontração, trilha adentro, Jagger esguelando seus Wild Horses, e o mundo quase parecia bom e justo quando um movimento na beira do mato ressaltou meus aguçados instintos de Jane das selvas.

Pronta para me defender a golpes de gatorade da suçuarana com quem esperava ter de me haver, sentindo-me o Chuck Norris, dirigi meu olhar sagaz para a moita que se movera e eis que avisto um turista, desses bem brancos, de boné e óculos escuros e todo estragado por um sol que certamente não pegou aqui, nesse meu pé de serra úmido e mais esquecido pela primavera-verão que a féchion uíque de janeiro.

Era um desses gringos middleage, com uma cara aparvalhada, nitidamente indeciso se minha presença era ou não era caso de interromper a mal-disfarçada punheta.

Nos encaramos uns segundos por trás de nossas lentes escuras, e eu me dei conta da vulnerabilidade de minha posição o que me fez acelerar o passo, ao mesmo tempo que, encorajado pela minha fuga, o homem mudou de posição decidido a se exibir, mas felizmente meus olhos foram poupados, pois que já miravam, seguros, o tortuoso caminho de volta.

Agora você repare, meu amigo. Se um sujeito despenca lá das entranhas do Iowa (improvável, mas fica bem, no texto) para se masturbar às sete e meia da manhã na floresta atrás da minha casa nos grotões mais molhados do estado do Rio de Janeiro, como é que eu, euzinha, não vou encontrar o meu tesão?

Nem que seja para que haja justiça no mundo.

Acho que não era bem isso que meu bisavô, meu avô, e meu pai, tinham em mente, mas, por bizarro que tenha sido, sempre rompe a inércia…


A saga de uma TV com chiado.

De tudo, o pior, é não escrever. É ter perdido o impulso.

Que sentido tem então, este, que é somente, eminentemente, e necessariamente um espaço de escrita?

Que importa quem eu seja, ou quem me lê?

Alguém me sugeriu inscrever este blog num “cartel” de blogs eróticos, que juntos, obteriam alguns benefícios em termos de público e até de retorno.

A coisa já se inviabiliza na premissa: trata-se de um blog lírico. Expressão de estados de espírito, percepções, e narrativas sem qualquer compromisso com pessoas, tão pouco com a realidade. Até a lira se faz presente, na figura do youtube, este aedo moderno.

Isto pôsto, como me circunscrever à nobre etiqueta erótica se do lado de cá sou só eu. Só eu. Só eu só?

Um “eu” neste momento condoído, castrado nessa sua necessidade de expressão, pôsto num cantinho ajoelhado sobre o milho para refletir sobre suas posturas, sobre como preservar-se e conduzir-se. Um “eu” que perdeu o tom. Um “eu” equívoco, desgostoso, abalado. Catatônico. Obtuso.

Freud, a velha raposa, dizia que toda a histérica traz no corpo uma marca. A minha, tão previsível, me inviabiliza a escrita.

Mas vai vendo moço, ponha reparo que junto com aquelas água daquele rio dali, num caquinho de cuia, vai passar.

E quando todas as arestas deste ego frouxo e patético voltarem para sob o refulgente escudo chamado Mistake Girl, de uma cabine telefônica londrina ou de uma toca de tatu, volto para contar para vocês como é o outro lado da luz, e o que, diabos, Caroline tanto faz por lá.


Somaterapia

Acordada, enfim. Contudo, se não é meu útero que me move, se não é a expectativa de penetrar e deglutir o dia – suas crises, seus sabores – não sei pôr meus pés no tapete sob a minha cama. Desaprendo os passos. Erro a mão no sal. Nego minha participação neste dia, do qual nada espero.

Há quem chame “depressão”. Mas não eu. Sei que é simplesmente falta, ausência, esgotamento de tesão.

A mente vazia. O corpo ressecado. Um silêncio de morte.

Sufocamento da anarquia. Cessão a tudo o que é pequeno, hierárquico, burguês. Germina a semente do autoritarismo social, do capitalismo e sua imensa teia de controles a impactar as relações humanas, as individualidades, e o simples ato de sair da minha cama.

A falta de tesão é um lapso ideológico.

É ceder à provinciana necessidade de que amor tenha tamanho, lugar e definição. É o revés da entrega libertária. É aguar o bom do amor. É sonegar o impulso de amar.

Não, obrigada. Eu quero inteiro, e não pela metade. Porque pela metade não sei dar. Não quero dar. Não me interessa. É feio. É banal. E um tantinho ridículo.

Mas onde foi mesmo parar o meu tesão?