Arquivo do mês: janeiro 2012

Com quantos paus?

Tem dias que estou pra canoa.
Tem dias que acordo jangada.


Epifania

O carinho supremo.


guloseimas

Esse pessoal da área de gastronomia é de uma criatividade… tsc.


rural

Entre os poucos inconvenientes de uma vida campestre, figura um que já foi antes abordado:

as liberdades que os bichos tomam

Como o Discovery Channel já demonstrou, não há nada de bucólico na natureza. É cada um por si. A rapaziada além de levemente cruel é de uma promiscuidade impressionante. O bicho pega. Literalmente.

Preocupada com o efeito de toda aquela agitação ao meu redor – das mariposas às preguiças, passando pelos cavalos dos pastos alheios, que esperam a minha passagem para cobrirem suas fêmeas – socorri-me do Houaiss para conferir a abrangência do vocábulo “Zoofilia”.

E foi tranqüilizada por ver que a apreciação da arte não me inclui no ofício (já chega de pecados!), que dei-me ao desfrute de vir aqui mencionar o assunto.

Em verdade não é por nada disso que escrevo, senão porque dia desses vítima da têmpera sacana destes bichos despudorados, me veio à mente uma canção. Seria ela uma “Fuck Music”?

Segundo parâmetros de minha lavra e por mim mesma instituídos, uma fuck music se caracterizaria conforme sua inclusão em rígidos critérios tais como se os lê lá na segunda postagem deste blog, a saber: uma ambiência sexual, um ensejo.

De fato não é o caso.

Mas que tem borogodó, tem.

    Arreio de Prata

    (Alceu Valença)

    O meu cavalo dos arreios prateados
    E a namorada, muito amada, agarrada na garupa
    Me protegendo dos malefícios da vida
    E agarrada, muito amada, na garupa do cavalo

    Iê, iê… arreio de prata, uou, uou eu todo prateado
    Muita boiada, muita cerca colocada
    E as meninas proibidas de fazer amor mais cedo
    E o meu cavalo e a sua égua malhada
    Fazendo amor no terreiro da morada das meninas

    E relinchavam, pois gozavam liberdade
    E as meninas não podiam nem gozar da vaidade
    E as meninas até sonhavam com a cidade
    E com os rapazes que por ventura encontrassem
    E olhavam tanto para o meu cavalo |
    se imaginavam éguas e eu todo prateado
    e olhavam tanto tanto para meu cavalo se imaginavam éguas e eu todo prateado.


, eu sou coqueiro….

Eu gosto do nariz do Gerard Depardieu.
O caso é que tenho notado que não necessariamente gosto do que eu acho que gosto.
Sinto uma enorme compaixão pelas coisas e comprometo-me comigo a gostar delas.
Daí que depois de culênios convivendo com situações em nome de um comprometimento que tendo a confundir com algum nível de amor, dou-me conta de que se tivesse sido objetiva quando da devoção do meu afeto, tudo teria sido mais simples.
Por conta disso está rolando uma esquizofrenia porque eu já não sei do que gosto. Nem de quem.
Eu sou carioca. Mas não exerço. Detesto sol. Contento-me com uma praia de quando em vez, sempre no fim da tarde. Uso óculos escuros em casa. Quando foi que fiz essas escolha? Certa vez, há tempos, tive o ímpeto de ir à praia. Mas aí ponderei: cara, e se eu gostar dessa porra? vou ter que mudar tudo! Minha vida é baseada na minha opção por hábitos noturnos. Minhas roupas e o tom do meu cabelo combinam com minha tez levemente esverdeada. Tirei o biquine e fui ler Fayga Ostrower.
Só por causa disso, estou há alguns dias pegando sol. Quem sabe?
A única coisa que aconteceu é que estou descascando pela primeira vez em vinte anos. E sinto uma dor-de-cabeça que não me larga.

Bom, se você esperava alguma conclusão dessa história, sinto muito. Não tenho a menor idéia do que estou dizendo. E só estou dizendo aqui porque se dissesse no blog civil, com a platéia cotidiana, isso seria usado contra mim, e no mínimo iam dizer que minha aversão a pepino é um engodo.

Portanto, segura aí.

Mas do nariz do Depardieu eu gosto mesmo.


Quebranto

O verdadeiro breve contra tesão é gente chatinha, caretinha, burguezinha, comezinha.

Um perigo.

Suga.

Precisa mesmo de um breve, um talismã, um patuá pro caso de, em encontrando um povo assim, se resguardar.

Enquanto não tem mandinga pra isso, vê se aprende, pô. Olha com quem tá lidando.

Tô atrás de gente fina, elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não.

Enquanto isso, mandei fazer uma figa de ouro.

Porque mo fio, do jeito que suncê tá, nem o ômi te pode ajudar


Chá com bolinhos e KY

Fui chamada para um grupo de debates intitulado: Papo cabeça entre mulheres.

Ao questionar a razão de existir do pitoresco grupo, obtive como resposta uma solene explanação acerca da necessidade de que as mulheres discutam as “suas questões”, e me foi informado também que as felizes participantes deveriam contribuir com sugestões de pauta para as alegres tertúlias.

Prestimosa, prontamente enviei um ponto que ao meu ver requer discussão abalizada emergencial: COMO MANTER A LUBRIFICAÇÃO NA ÁGUA – discutindo as fodas submersas.

Resultado: Fui considerada impertinente por oito mulheres que, trocando de mal comigo, castigaram-me severamente excluindo-me do chá com bolinhos iminente.

E o pior: continuo sem saber a resposta para este problema que tanto me aflige, e ainda fui privada da chance de discorrer acerca de minha idéia de que passem a comercializar um KY que, como o Sundown, não saia na água. Porque vocês sabem, a água dilui a lubrificação o que se, eventualmente, não chega a dificultar a penetração (sob alguns aspectos, apenas), certamente constitui desconforto para a salutar prática da siririca.

O mundo é injusto.

Talvez eu deva procurar a Gessy Lever. Ainda existe a Gessy Lever?

Enfim, que questões femininas podem ser mais pertinentes que essa? Ah, fala sério.


O grande herói das estradas

Se eu fosse homem usaria costeletas suíças.
Traria sempre um lenço limpo e cheiroso no bolso de trás da calça. Usaria sempre calça. Jeans.
E um casaco comprado num brechó em Gênova.
Teria, decerto, um canivete suíço. E um isqueiro zippo, ainda que fossem longe meus tempos de fumante. Meu chaveiro seria uma pequena e potente lanterna.
Meus dedos ostentariam anéis. Meu corpo, tatuagens. E só para surpreender, eu seria um mar de ternura.
Se eu fosse homem riria pouco. Seria levemente formal e discretamente imaturo, já que maduro não é possível ser.
Sentiria ciúmes contidos. Mal-disfarçados. De mulheres, amigos, livros, e do aeromodelo que montei com meu pai.
Seria perdulário. Jantaria às margens do rio Zwin, enquanto me cortassem a luz, e no ensejo, aprenderia um pouco de flamengo.
Seria profundo conhecedor do cancioneiro popular brasileiro e dominaria os repertórios de Nelson Gonçalves e Orlando Silva.
Amaria poesia, com sinceridade.
Dançaria, embora mal.
Tocaria violão, embora mal.
Mas aprenderia a cozinhar um único prato com maestria.
Trabalharia como se isso não fosse um incômodo.
Se homem eu fosse, pousaria minhas mãos grandes, cheias de posse, nos quadris da mulher que fosse minha, enquanto minha ela fosse.
Na minha casa haveria um grande tapete, uma luminária turca e muitos livros ao redor.
Haveria brinquedos artesanais para quando meus sobrinhos fossem me ver.
À noite eu acenderia um incenso que Raul me trouxe do Nepal.
Sentiria-me feliz se vez por outra houvesse uma mulher a quem amar no meu imaculado tapete.
Entre How deep is the ocen? e I’ve got you under my skin, diria a ela todas as coisas que esperava da eternidade do nosso encontro.
Daria meu cheiro a ela. Daria meu peso a ela. Ofertar-lhe-ia minha imaturidade e meu melhor vinho.
E se ela pedisse, e somente quando ela pedisse, úmida, turva e atordoada, eu amaria esta mulher com calma e força.
E se ela, muda, aquiescesse, plena de compreensão pelo homem que eu sou, se, mulher, durante o nosso banho, lavasse, carinhosa, as nossas roupas íntimas, isso me renderia maus poemas e uma sensação boa, de ser o homem que eu quis ser.
Se eu fosse homem, minha porta não teria tramela, nem a janela, gelosia.


كتاب ألف ليلة وليلة

Um amigo, em grande desespero de causa, vasectomizou-se.

Confidenciou-me hoje que encontra-se na difícil situação de ter que ejacular vinte e cinco vezes antes de saber, com segurança, que não mais disseminará a espécie.

Que não saiba o meu amigo, mas o caso rendeu-me tratos à bola.

São as minhas, as mais fraternais intenções: ajudar o valoroso amigo a livrar-se de toda aquela porra que ele carrega dentro de si.

Sendo o rapaz casado e pai extremoso, não seria apropriado colaborar empiricamente com as ditas ejaculações.

Imagino, contudo, que mal não faria se, neste tempo em que tempo não há, eu lhe contasse uma história que durasse não mil, mas umas tantas noites quantas necessárias fossem.

É de se objetar, porém, que a última a usar um tal ardil, no curso das travessuras das noites eternas, deu à luz três filhos do rei.

E isso seria contraproducente se mantivermos o objetivo inicial em mente.

Uma lástima. Histórias não me faltam.


Lumiar

Lá estava, em companhia de homens honestos porém pouco sensatos.
Uma garrafa de whiskey destampada, pizza de aipim, ataques de pânico, hidromel y otras cositas pouco usuais.
Um quarto compartilhado, toda a intimidade do mundo, sonhos, sonos e paranóias apartadas.
Tento recuperar uns certos olhos, um certo toque. Concentrada, repito o mantra das palavras mal trocadas. Má poesia. Bom sexo.
Mas me fogem. Os olhos, as mãos, e mesmo os versos, que na verdade, nunca me interessaram.
Finalmente adormeço, em meio a graves e inadiáveis ponderações acerca de ser uma boa pessoa, ou uma pessoa feliz.