Like a rolling stone

Está combinado entre os meus: a Mistake tem bicho carpinteiro. Devo ter. Desgarrada por natureza, necessito, com uma periodicidade cada vez maior, sair do meu casulo para poder respirar. Contraditória por natureza, necessito, por um período cada vez maior, nele me enterrar, para me proteger e aprumar.

Fora dele estou, e é bom demais ser estranha em um lugar. Estranhar as calçadas e o misterioso padrão das chuvas. E ser essa mulher que PODE, sem outro compromisso que não seus próprios princípios.

Em meu ambiente, minha condição de “ser sexual” está dada. É fácil empunha-la. Fora dele, não sei onde ponho as mãos. Sou tímida e espalhafatosa. Não sei fazer ver a quem me interessa, que esse interesse existe e tão pouco sei ler os sinais. Num lugar onde as moças combinam tão bem voil de seda e all stars, piercings e picolés, não entendo o que esperam de mim.

Meu olhar não sabe dizer que minha boca quer um beijo. Meu corpo não se crê desejado. E desaprendo a sambar.

No terreno do alheio, eu não sou a tal. Vir para a outra margem é dar a cara à tapa. E garantir aquele escravo núbio a me dizer, pela Via Apia, num susurro debochado: és mortal! és mortal!

Quisera contar do “silêncio que sucede os grandes encontros, aquele, que vem depois da canção preferida”, mas não soube. Não pude.

Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

2 respostas para “Like a rolling stone

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