Junkie

E para que eu haveria de querer dizer com minhas palavras imprecisas, o que outros disseram com tamanha delicadeza?

Queres saber? Não te dou. A sensação é minha só, não é de mais ninguém.

Ademais, se conto, me foge. É preciso concentrar em mim cada fragmento.

Que permaneça em minha retina a imagem.

Que meus seios – e ele rindo, corrigirá: peitos! –  doídos, frágeis, sejam o justo tributo do desejo.

A quem mais interessará saber do meu sorriso?

Da nossa noite – oração na catedral – só a nós é dado recordar.

Minha pele recompõe-se vagarosamente das ranhuras que a barba dele me fez. Das sevícias com que grande, ávido, tingiu meu corpo.

Os mamilos dela, já não os posso sentir vivazes, em minhas palmas.

E seus olhos, que amaldiçoam e bendizem, se escondem no fundo de mim, quando os quero aqui, atentos, travessos, ressacados.

 

Hora de buscar pela próxima dose.

 

 

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Sobre mistakegirl

Vaca profana por princípio e vocação... la leche buena toda em mi garganta, la mala leche para los puretas... Ver todos os artigos de mistakegirl

3 respostas para “Junkie

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