Arquivo do mês: maio 2012

Círculos

Eu sou eu e mais minhas circunstâncias.

Ortega y Gasset

Caleidoscópio

Eu não sei o que faz de cada momento de vida, singular.  Possivelmente as circunstâncias, que não se repetem, como contas de vidro colorido chacoalhadas em um tubo.Também não sei se são os tempos modernos, ou o ranço que o presente sempre tem para cada geração, ou se de fato as novas tecnologias é que são responsáveis pelo tempo mais e  mais efêmero a que se circunscrevem os períodos aos quais chamamos “época”.

Enfim, eu não sei de nada. Mas de vez em quando penso uma ou outra coisa.

Este blog existe há 13 meses. De modo geral, minha vida não sofreu mudanças radicais nesse período. Se olharmos panoramicamente, se considerarmos o processo… não, não são grandes as mudanças.

Contudo, a revisitar a mim mesma através do que escrevi, se associar as postagens ao que vivi ao longo destes meses, às pessoas com quem me envolvi de algum modo, às situações em que tomei parte, voluntariamente ou não… anos luz se passaram.  Cada experiência só foi possível nas condições muito específicas em que ocorreram. E isto procede. Heraclito de Efeso já postulava que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio. Eu sou outra, sempre. As águas do rio são outras. A vida se movimentou. Samsara.

A Roda de Samsara

O modo como eu sentia esse enorme desejo que me acompanha, foi mudando por si só, e também conforme esse desejo encontrava expressão em minha realidade.

Escrevi ontem que a Mistake Girl é meu dark passenger. E é. Costumo dizer – e não há nisso exagero algum – que ela nasceu da dor. Ela é sombria e cínica.

Saudosita que sou, tendo a achar que os tempos passados (ainda que tão recentes), propiciavam melhores condições de expressão a este alter-ego, que ocupa hoje um espaço tão significativo em minha vida.

Um espaço fundamental, por ser  lugar de confissão, de exercício de reflexão e sexualidade, e, por que não dizer? de minha subjetividade.

É chegado porém o momento em que as circunstâncias fizeram com que as escotilhas com que cuidadosamente lacrei os compartimentos em que dividi minha existência, a fim de conseguir lidar com ela, se escancarassem. E eis que percebo pessoas lânguidas e despreocupadas que caminham, inadvertidamente en promènade, pelos vãos de mim. Atravessando as escotilhas, entrando e saindo de minha da minha vida, do meu blog, do meu afeto. Observando-me, impiedosas. Inconscientes de pisarem-me ora os trapos poeirentos, lançando-os ao mar,  ora as certezas, ora os brios.

Se indiscutíveis são os ganhos deste tráfego, são também, variadas, as perdas. Acredito que a expressão da sexualidade deva dar-se no registro do privado. E os olhares, lascivos, despudorados, analíticos, me inibem. Não posso mais dizer que este seja um alter-ego, senão eu mesma, travestida. O que distancia-se da proposta inicial.

No entanto, eccomi qua. Exposta. E incapaz de criar e narrar até que me adapte aos olhares, ou até que meus olhos se acostumem à luz.

Possivelmente é só uma fase, e talvez, caleidoscópica, em breve as contas de vidro se reagrupem, lindas, originais.

Talvez não. Porque o que define um passageiro sombrio é seu caráter anônimo. E eu tenho a cara à tapa. Há um incêncio sob a chuva rala.

Ou, de outro modo, talvez o tempo seja de viver este momento, também singular, a que o percurso me conduziu. Hoje, agora, aos olhos desvelados dos transeuntes. Porque do que mais trata a vida, senão da tentativa de não sucumbir ao cinismo que é o tributo que pagamos por experimentá-la?

Quem sabe seja esta a hora em que a elipse que fazemos em torno do sol, lhe empreste a luz, e nesta pequena fração de segundo, quase não se notem as sombras, exceto, talvez, pelo gosto amargo que persiste na boca, não obstante todo o chocolate com que nos entupimos?

Se o momento é de sol, eu quero o meu sem filtro.

Eu quero incandescer.

E não me incomoda que ao fim, seja mesmo uma fração de segundo.

Sun, sun, sun, here it comes…


Borogodó

 

 

Relou, tá pêgo!

 

(assim mesmo, com essa inflexão paulistinha)


A Mistake Girl é meu dark passenger.

Hora de acabar com esse moody saltitante.

Ou bem se trepa, ou bem se ri.

 


Lá ra ra iá lá ra iá lá ra iá porque…

 

O dia começou assim:

 

“Você consegue guardar o tesão? Tô guardando o meu pra de noite… vou passar o dia meio zonza”.
 
 

E depois disso, a seguinte declaração, digna de um Rimbaud (se ele tivesse um pouco mais de testosterona):

 
“Volta.
Vem logo pra eu te deixar roxa,
pra eu pintar a sua coxa…”
 

Tem como manter a fleuma literária?

 

Não. Só rir… feliz. E dizer:

Leva o chinelo pra sala de jantar…
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando



Auguri, menina!

Eu acho que nada, em todos os tempos havidos e vindouros, pode ser mais belo que essa canção.

E beleza é necessária. É necessária sempre. E é fundamental hoje.

Porque hoje, alguém que traz muita beleza à vida desta escriba,  está tendo um dia bem especial.

Wonderful, marvelous
You should care for me!
Awfully nice, it’s paradise,
How I long to be.
You make my life so glamorous,
You can’t blame me for feeling amorous!
Wonderful, marvelous,
That you should care for me!

(‘S wonderful, Gershwin,  interpretação (PERFEITA) João Gilberto)


de piquetes e Everglades…

Eu estou em São Paulo e tá rolando uma greve na cidade.

Tô com tanta raiva de parte importante de meus compromissos terem ido para as cucuias que decidi furar o movimento e voltei!

Mas não se iludam! Estou apenas postergando o pleito para o momento  em que eu tenha mais o que fazer do que ficar aqui, jogando pérolas aos porcos e Brad Pitt pra esses insensíveis.

Na verdade, era só isso que eu queria dizer. (A pessoa que precisa interagir, né, menino?)

Mas pra não perder a viagem, aproveito para, no intuito de enriquecer meu vasto público, consignar aqui, inspirada por uma certa figura inacreditável com quem tenho convivido, um breve dossiê sobre um determinado arquétipo:

O PAXÁ

Segundo o Aulette:

s.m. Governador de província em alguns países muçulmanos.
Bras. Fam. Indivíduo que leva vida faustosa, indivíduo poderoso e rico.
Pop. Homem que tem várias amantes.

 

Agora, a cerejinha do bolo é que procurando a melhor definição, achei um site onde, abaixo das definições do termo Paxá, está escrito:

 

CONJUGAÇÕES DE PAXÁ

Infinitivo: pavonear

Gerúndio: pavoneando

Particípio passado: pavoneado

 

E segue-se a conjugação do verbo PAVONEAR em todas as suas pessoas!

 

HauaUHAUhauahAUhAUhaUhaUhaUhaUHaUHAUAHUAHUAHHaUhaU

 

Está aqui  o site que não me deixa mentir!

 

Coisa de louco, né menina! Até o dicionário sabe da existência desse tipo muito pitoresco de homem que fica ali, parado que nem um jacaré, mexendo só os olhinhos, aguardando a presa. E elas nunca são demais pra ele! Um jacaré mau, que pega um, pega geral, e limita-se a deitar confortavelmente com as mãos sob a cabeça, exibindo, indolentemente, seu leque nacarado de dimensões preocupantes, a todas as fêmeas que se lhe atravessem o caminho.

 

Esse é o segundo post onde faço a elegia do pavão. Donde se conclui que tenho clara atração por esse tipinho. Não nego.

 

Mas resistir, quem há de?

 

E  um Viva! ao  homem brasileiro!!

 

 


Mistake Rushdie

Eu queria muito escrever algo hoje.

Mas me proibiram de postar o Brad Pitt em nova versão barbudinha.

E em repúdio a tamanho cerceamento de minha liberdade de expressão venho dizer que:

 

 

 

 

 


Não me queixo

Mas na hora da cama nada pintou direito

É minha cara falar

“não sou proveito, sou pura fama”…

Eclipse Oculto, Caetano Veloso


La donna è mobile

 

Se houver por aí algum incauto que acompanhe um pouco das sandices que vão por este blog afora, este cidadão terá anotado em seu caderninho que:

 

1. Eu não gosto de fluidos;

2. Eu não gosto de cerveja;

3. Eu não gosto de barriga de tanquinho;

4. Eu acho que reflexo nos cabelos é um dos sintomas de psicopatia;

5. Eu detesto camisinha (mas uso, fique claro);

6. Eu tenho impulsos ambivalentes em relação à bissexualidade;

7. Eu não sou de ficar nua;

8. Eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu não gosto de frei.

9. Eu acho reacionarismo altamente brochante;

10. Eu não gosto de homens mais baixos que eu;

 

Porém……….

 

Se, embora improvável, acontecer de, por obra do destino, um anão sarado e evangélico, candidato à vereador pelo PL, furar a barreira, e me pegar na curva, catching my point… ah… revogo todas as disposições em contrário.

 

Portanto, não me pegue pela palavra…