Arquivo do mês: janeiro 2013

causal

 

porque eu tinha o que dizer, disse

porque  eu tinha esse amor, amei

porque quis, dei

porque dei, persisto

por que não passa? não sei

 

 

 

 

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give it to me baby

 

Disseram a mim que o gozo de uma pessoa que tem as rédeas de si mesma, é muito mais solto, freqüente e intenso.

Estou quase apta.

Onde me inscrevo?


Que venha o fúcsia!

 

É preciso admitir: já tive sextas-feiras melhores.

Sexta de arrumar o ninho, ficar junto e dormir tranquila, sem ligar para o que havia além de minha janela com contact.

Sexta de olhar a praia, e esperar as coisas que a vida ia trazer. O luxo da ingenuidade.

De comer gorgonzola com pão, no frio da noite estrelada.

Já senti a deliciosa aflição do porvir. E veio. Foi tão bom.

Já parei no pôsto e tomei um energético. A noite prometia. E cumpriu.

Já acendi velas e luminárias e me vesti com cuidadoso desleixo, a esperar. E tive.

Já morri de rir, chapada e feliz, antes do show, comendo um galeto.

Já tive certeza de que aquele era um ponto alto na minha vida.

Já tive sextas-feiras piores, também.

Mas não essa. Essa não é ruim. Só é cáqui.

Sem perspectiva alguma. Sem cheiro, ou textura.

Amor retrancado.

Tesão, seguro em minhas mãos firmes, comandadas por uma razão que faz de mim, estranha.

Essa sexta-feira com gosto de limonada, como a que a Baronesa Schraeder toma com Herr Detweiler, n’A Noviça Rebelde. Uma limonada que não era boa nem ruim, só muito…. rosa.

Sempre detestei rosa.

 


Beco das sardinhas

 

Porque sexo também é o não ter.

Havendo ou não, sexo é do que se trata. Por presença, ausência ou excesso, sexo peca.

Mesmo não vindo aqui, mesmo não estando, mesmo não sendo Mistake Girl.

Gato escondido com rabo de fora. Este blog se tornou uma declaração de mim e mais do que eu devia, estou aqui, exposta.

Você e você sabem quem eu sou. E você também. Tantos.

E então como dizer que não? se é de sexo que se trata.

E quando nos encontrarmos na esquina da Ouvidor com a Rio Branco, eu, comprando amendoim caramelizado, você, olhando a vitrine da Casa Alberto e se perguntando porque é que tudo ali ficou tão caro, vamos nos olhar, do modo amigável como sempre fizemos e você vai saber que é de sexo que se trata. Minha alma no seu google latitude, sem que seja jamais eu, a saber de você, que tentará, para evitar constrangimentos,  não deixar transparecer no seu olhar que sabe que eu me contorço e suo de desejo, porque sim, eu desejo e tanto. E vai perguntar como se fosse a sua primeira vez naquela esquina, onde é que foi parar o monumento ao pequeno jornalista e eu olharei surpresa, e fingirei não ter notado que ele saiu dali e então comentaremos como a Miguel Couto é uma rua estranha, assim de viés e diremos que é uma pena que a Livraria Padrão tenha caído, um bastião, que era. E o mais estranho, direi, é que a rua volta com o mesmo nome após a Presidente Vargas, tão incomum! E daí combinaremos de comer uma sardinha um dia desses, e você decide que será então que me perguntará sobre coisas que leu aqui, e nos separaremos. Eu apartada de mim, muda, destituída da escrita que me define, para me livrar da mácula do desejo que não sacio, você sempre curioso, sabendo de tudo da minha alma e dos suores do meu corpo desamparado, mas ambos nos olharemos com a cordialidade possível aos homens que fingem não saber, e nos despediremos.

E é por isso que não vim mais.