Arquivo do mês: fevereiro 2013

apesar, contudo, todavia, mas, porém

 

 

Meu pai –  homem de considerável sabedoria – diz que a vida vale a pena de ser vivida não por outra coisa, senão pela ínfima possibilidade de uma paixão.

Tendo eu sido feita desta massa de busca pelo miolo das gentes e coisas, me é difícil manter a fleuma, quando meu fígado se encontra em permanente autofagia, e me falham pulsações, os mais breves vislumbres de meus objetos de desejo.

Nenhum toque me passa, de fato, despercebido. Um roçar de braços. É como sentir na água perfumada de um bom mixólogo, hibisco nas laterais da língua, gengibre e pimenta no centro, e no fim, o travo terroso da beterraba. Sinto cada coisa e me arrepio, com a água e o roçar. Olhos fechados, sabores me invadem, e cheiros, e sei de cada um, um tanto, e expropio-os de suas origens insiginificantes – pois que é o sabor que lhe sentem pela vida, que lhes significa a existência, distraído ouvinte, saiba.

Um brinde à minha língua curiosa e meticulosa.

Não estou em posição de requerer que a mim me saibam o gosto, que a mim me queiram saber. Mas como disse Rita Lee, e eu aqui já repeti há bem pouco tempo: enquanto estou viva e cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz. Que no fim, é o que diz meu pai – sábio: a vida vale não por outra coisa que não a ínfima possibilidade de uma paixão.

E é a crença no ínfimo – herança pela qual sou tão grata – que me faz viver com gosto.

Pois é de gosto e sabor que se trata viver.

E é por isso que  agora eu vou é cuidar mais de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

 

 


Não tem dó no peito

 

Não se beija a buceta de uma mulher impunemente.

Não dá pé, não é direito.

Não se beija a buceta de uma mulher impunemente.

Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça.

Não se beija a buceta de uma mulher impunemente.

Isso é um bicho de sete cabeças.

 


Ninfa

Eu não sei não!

Se eu estou triste, penso que trepar seria um troço legal, pras circunstâncias. Discorro longamente sobre o assunto, como se viu.

Se estou feliz, de alma lavada, e sinto, aliviada, que finalmente o sorriso me atinge os olhos, então penso: taí! ia ser legal dar umazinha agora.

A pessoa que literalmente só pensa naquilo.

Mas não tem problema não! Vou comprar uma tela de macramê pra mim, e hei de sublimar esses desejos toscos e animalescos, e doravante só ouvirei Brahms.

O problema é que homem existe. E tem cheiro e barba. Essa coisa toda que me perturba o juízo.

Vou me converter ao judaísmo, ou a qualquer dessas sábias religiões que separam os gêneros. Vou comprar um hamster. Vou usar uma saia de anarruga branca e um twin set azul bebê. Vou comprar um sapato usaflex. Vou ouvir o programa do Boechat. Vou polir os talheres com kaol. Vou jantar na parmê. Vou dizer a taboada de 8 de trás pra frente. Vou ver um beijo de novela e assistir a um filme pornô.

E  assim, precavida, nunca mais pensarei em sexo.


 

Traiçoeira e vulgar

Sou sem nome e sem lar

Sou aquela

 

 

 

 

 


À Point

Atala

 

Quero crer que aquilo seja um snorkel. Oremos.

 


Endosso

 

Alguém, em algum lugar da vasta federação, procurou algo no grande oráculo google.

O grande oráculo, muito sabido, encaminhou a pessoa para este blog.

Por causa disso, eu, olhando as estatísticas, identifiquei que este  post, já antigo, foi lido recentemente.

E fui lá ver do que se tratava. E que interessante!

Tenho a dizer que:

Sim, demorou muito a passar. Tanto, que lá se vão quase dois anos, e de fato ainda não passou.

Mas nem só de tristeza se vive, felizmente, e é com muito gosto que constato, assim, relendo a mim mesma e às minhas ingênuas aspirações, que, sabe as tais atitudes não tão simples? Tomei-as.

Meu caminho é feito de abismos. A cada passo me jogo no nada. Sem visão ou perspectiva. Vivo num quadro de Escher. E tão assombroso como ali, surge sob meus pés sólido piso, dobra do tempo, do espaço, misericórdia.

E se estou triste – e estou – estou também orgulhosa. E grata.

Falta só resolver a parte onde os corpos se entendem, pele quente, corpo sólido e  as outras baboseiras mais que escrevi.

Porque concordo comigo: a mágoa inviabiliza o sexo. A tristeza não.

Mas eu chego lá.

 

(E há quem ache que sabe de mim.)

 

 


A lá lá ô Ô ô ô ô

Juju e seu Balagandã.

 

posse

 

(Que tem o seu, que segure)

(ou não!)


Onde se ganha o pão

 

 

Ele fica atrás de um balcão e faz drinks.

Às vezes vai à cozinha, criou uma calda especial. É muito cioso dela.

Pede licença.

Eu dou.

E ele se esfrega mesmo assim.

Ele tem cheiro de absinto.

E quanto ao mais, finge que eu não existo.

Eu não queria mesmo.

Mas acho curioso…

 

 

 


mais do que chuchu na serra

 

http:/http://www1.folha.uol.com.br/tec/1224673-aplicativo-para-facebook-estimula-sexo-discreto-entre-amigos.shtml

 

Isso merece uma análise mais detida… mas vai ficar pra outro momento.