Arquivo do mês: março 2013

 

teu corpo com amor ou não, raspas e restos me interessam

 

 

 

 

 

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Godot

Toda a espera é em si, um gozo.

A espera pela festa de aniversário.

Pela viagem para Muriqui.

Pela prova para a qual se estudou.

Pela boca, cuja proximidade a tudo arrepia.

Pela broca do dentista.

Pela mala.

Por ele que está por entrar, em minutos, por aquela porta.

Pelo dia marcado.

Pelo sexo que se anuncia.

Pelo puxão da depiladora.

Pelo tapa.

Pelo tempo de não mais pensar.

Por eles que um dia vieram, e eu fui tão mais que eu.

Pela chuva, pelo sol, pela neve, pelo natal.

Pelas mãos.

Pela nota onde finda a introdução e começa o canto.

Pelo pau que se aproxima.

Pelo gozo.

Por eles, que agora vêm, e eu me desfaço em mim.

 

A espera é o arrepio da alma.

 


repetitiva

 

Mal acabei de publicar a postagem anterior, desconfiei que já havia atribuído este título a algum outro escrito. Posta no campo de busca a palavra “desgoverno”, apareceu isto, que se vê clicando aqui.

 

 

Às vezes me orgulho do que escrevo.

 

 


desgoverno

E aí que a porca torceu o rabo.

E eu noto que não tenho necessidade de mais ninguém.

Apenas queria muito.

Perde-se tanto tempo.

Tempo em que a minha boca poderia estar reconhecendo na sua, tudo que ela não tem competência para me dizer. Porque há uma hora, mes amis, em que é preciso abdicar de dizer:  já não faz diferença.

Entretanto,  o que se vê é um conglomerado de ações inúteis, em prol de objetivos forjados, e isso se espalha em ondas e nada faz sentido. Meio assim como essa prosa.

E acredito que sim, dentre as coisas que dão sentido à etérea existência, estão as placas de trânsito e a minha boca na sua.

O que, pelo visto, significa que seguiremos sem rumo.