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Beco das sardinhas

 

Porque sexo também é o não ter.

Havendo ou não, sexo é do que se trata. Por presença, ausência ou excesso, sexo peca.

Mesmo não vindo aqui, mesmo não estando, mesmo não sendo Mistake Girl.

Gato escondido com rabo de fora. Este blog se tornou uma declaração de mim e mais do que eu devia, estou aqui, exposta.

Você e você sabem quem eu sou. E você também. Tantos.

E então como dizer que não? se é de sexo que se trata.

E quando nos encontrarmos na esquina da Ouvidor com a Rio Branco, eu, comprando amendoim caramelizado, você, olhando a vitrine da Casa Alberto e se perguntando porque é que tudo ali ficou tão caro, vamos nos olhar, do modo amigável como sempre fizemos e você vai saber que é de sexo que se trata. Minha alma no seu google latitude, sem que seja jamais eu, a saber de você, que tentará, para evitar constrangimentos,  não deixar transparecer no seu olhar que sabe que eu me contorço e suo de desejo, porque sim, eu desejo e tanto. E vai perguntar como se fosse a sua primeira vez naquela esquina, onde é que foi parar o monumento ao pequeno jornalista e eu olharei surpresa, e fingirei não ter notado que ele saiu dali e então comentaremos como a Miguel Couto é uma rua estranha, assim de viés e diremos que é uma pena que a Livraria Padrão tenha caído, um bastião, que era. E o mais estranho, direi, é que a rua volta com o mesmo nome após a Presidente Vargas, tão incomum! E daí combinaremos de comer uma sardinha um dia desses, e você decide que será então que me perguntará sobre coisas que leu aqui, e nos separaremos. Eu apartada de mim, muda, destituída da escrita que me define, para me livrar da mácula do desejo que não sacio, você sempre curioso, sabendo de tudo da minha alma e dos suores do meu corpo desamparado, mas ambos nos olharemos com a cordialidade possível aos homens que fingem não saber, e nos despediremos.

E é por isso que não vim mais.

 

 

 

 


Como no deserto uma flor

   Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que vivem enroladas num paninho.

É. Sinto muito.

Como sabem os que me são mais próximos, ando num momento de assumir minhas doideiras. Tipo, descobri, lá pras tantas na vida, que sou um monte de coisas que não gostaria de ser. Coisas que não admiro e não desejo para mim. Mas sou. Lutei contra elas até aqui, e de repente, não mais que de repente, resolvi sair do armário.

Algumas dessas coisas, quero crer que, olhando de frente, sem fingir que não existem, consigo reverter. Por exemplo: sou ciumenta.

Deixa que digam, que pensem, que falem.

Não é o ciúme banal do olhar para outros corpos, da admiração do outro pelo outro. Não é sequer o ciúme que impede trocas e toques. Não. É o ciúme doído que envolve controle e posse. Subjetivo e corrosivo.

Custa-me admitir: sou ciumenta.

Não queria ser. Isso não combina com as coisas mais profundas em que acredito. Passei a vida convencida de que não era uma pessoa ciumenta. De fato, desafio a alguém que me aponte durante os meus bem vividos 37 anos, um único ataque de ciúme. Mas agora, entendi qual era o mecanismo. Eu ia muito bem, aí de repente o cidadão me fazia sentir isso, que eu nem mesmo identificava como ciúme. O que eu fazia? Levantava o nariz, soprava um beijinho e seguia em frente. Sozinha. Por absoluta incapacidade de assumir e lidar com o sentimento. Abria mão de qualquer coisa para não ter que sentir algo que execrava. E execro.

Bom, o que mudou agora é que eu entendi os sinais do monstro de olhos verdes. Ainda não sei lidar com isso. Não sei se fecho a cara, se choro, se vou embora. Mas agora que sei o que estou sentindo, não consigo mais fingir que não existe. Uma hora vou entender o processo e saber o que fazer. Estou convicta, porém, que esta é uma daquelas coisas que descobri a meu respeito, e sobre as quais posso agir. Em breve serei a pessoa ponderada e libertária que sempre me acreditei.

Há, contudo, questões, que por mais que eu queira, não conseguirei flexibilizar. Por exemplo:  eu sou chegada num paninho.

Estou sempre mais confortável com uma faixinha na cabeça, uma meinha, uma canga, um body, uma camisolinha, uma calcinha, que seja. Sou até dada a um  friozinho inventado só pra me enrolar numa pashimina. Não é assim uma burka nem nada que comprometa os movimentos. É só o conforto de um paninho. É triste dizer que nunca serei uma Leila Diniz, uma Lady Godiva a galopar meus seios pela amplidão do planeta. Tsc. Não sei se o planeta poderá lidar com isso.

É triste.

Mas é assim, né?

Em minha defesa, só posso dizer que, se acaso me quiseres, sou dessas mulheres (envolta em rendas e atavios) que só dizem sim.


les uns les autres

 

Só esqueci de dizer que quero.

E que é de mim não saber dizer.

A argúcia que me abunda nos versos quebrados que te faço – Incakowski –  não me acompanha nos olhos com que te vejo.

Quererás?

E se queres, como é possível?

Eu sou eu só. E um punhado de enganos. Um pote até aqui de mágoa.

Toma os que são meus.

E um tanto da minha alma.

Quererás?

Que era então o pano que não lhe cobria a carne?

Com o que então estavas lá, a paciência chinesa como tua bisavó,

pés pequenos, em azul cobalto.

Tudo de teu, é bonito. As xícaras, os bules, os horizontes, as rosas.

E ele, oblíquo. Teu, conquanto, lindo.

 

E eu sou só eu, só eu, só eu, só.

 

 


Das poucas coisas que sei…

 

1. Eu não mereço um beijo partido;

2. Eu não gosto de quem me arruina em pedaços.

 

Não devo esquecer nunca das poucas coisas que sei. Razão pela qual registro-as, devidamente.

 

 

 


O penultimo biscoito do pacote

Porque pra gente, não importa que ele já estivesse na casa dos quarenta quando te conheceu, o fato é que o homem da gente não teve vida sexual antes e nem terá depois de nós.

Por mais racional que eu seja, acredito piamente que só para mim, ele gozou daquele jeito.

Se de vez em quando me pergunto se ele sempre trepou assim, se em outras idades, com outras mulheres, eram diferentes os gestos, os ritmos, os sons, logo me convenço de que seja como for, foi comigo que ele alcançou a plenitude sexual, porque como sabemos, como eu, não há.

E aí, numa dessas que a gente cava e a vida dá, estou eu lá, deitada num colchãozinho sob a cama, imóvel, quieta,  e acima, da cama – nossa cama – provém um som, um som tão familiar, o ruído do gozo ancestral, profundo.

Meu homem, minha cama, MEU gozo, aquele para o qual só eu conheço o caminho. Aquele que não houve antes e não haverá depois.

Ademais, nem quero pensar nisso, mas tinha uma nota, uma pequena nota naquele acorde tão conhecido, que não estava lá antes.

Como ela conseguiu??????


Caroline… hirsuta

Um dia isso ia acontecer. Eu sempre soube.
Uma mulher sempre sabe.
Não se pode atravessar 21 anos de vida sexual ativa sem deparar-se com esse momento.
Seria demasiada fortuna para uma só pessoa.
Tendo chegado incólume até aqui, permiti-me crer que talvez eu estivesse sendo cuidadosamente poupada pelos deuses.
Todavia, não.
Abateu-se sobre mim a tragédia que assolou e afligiu tantas boas mulheres antes de mim.
E aqui estou, tomada por dúvidas e inquietações.

Ao que tudo indica, vai rolar uma paradinha, e estou no interregno entre duas depilações. Oh! crudelíssima existência!

Já procurei no I Ching, na Zora Ionara, nos Mistérios de Elêusis, e no blog da Sue Johanson. Oráculo algum tem uma resposta, uma orientação quanto ao procedimento indicado.

É o fim.

Resta-me cominhar na direção da luz.

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Acabo de me dar conta! Minha vida sexual completou sua maioridade! Palmas pra ela!!!


Comigo não tá!

A gente sabe que uma transa não tá legal quando tudo começa a incomodar.

Em geral, não é culpa de ninguém. Tenho a impressão de que é uma conjuntura astral que obstrui os chakras tântricos. A nível de pessoa, enquanto gente muito humana, no caso. Uma coisa assim, diferenciada, sinergeticamente falando.

Sei lá.

Amigo, veja bem, sobe, desiste. Pára de me lambuzar. Para uma próxima ocasião, farei um mapinha, e você, adredemente preparado, poderá, sem maior dificuldade e com menor desperdício de saliva, encontrar meu clitóris.

A gente lembra que esqueceu de pagar a luz e chega a soltar um muxoxo pensando na enrolação que vai ser conseguir uma segunda via, já que o boleto ficou no trabalho. Em seguida considera que até que seria bom se eles cortassem a luz, mas tinha que ser AGORA porque esse ventinho que está entrando ali por baixo está pondo tudo a perder. Com perdão da má palavra, mas ventinho e foda não combinam. Ops! Concentra!

Baba Nam Kevalam Baba Nam Kevalam Baba Nam Kevalam… o que me faz lembrar que eu devia tentar o budismo. Se não me engano, as sessões no Gompa mais próximo acontecem às quintas. PORRA, CONCENTRA!

Nossa, há quanto tempo esse ventilador não é limpo? Não, tipo, é uma teia de aranha mesmo, aquilo no canto da parede? Melhor fechar os olhos.

Quadris. Movimento. Isso. Ai, cãibra. Vou te falar, viu.

Tá de sacanagem que tu vai gozar na roupa de cama que eu troquei hoje! Aliás, tá de sacanagem que tu vai gozar! Dá isso aqui que eu chupo pra salvar o meu lençol.

E tudo isso sem emitir um som e ainda fazendo beicinho.

Não que já tenha acontecido comigo. E quando acontecer, vou dizer: desculpa querido, juro que isso nunca me aconteceu antes. Mas as possibilidades são pequenas, já que como todo mundo sabe, I’m a sex machine.


Viestes

Feliz daquele em cujo jardim pousou, delicada, voluntaria, inesperada e deliciosamente, uma Borboleta Amarela…


Grande Sertão, Veredas

Sempre um medo de querer.
De esperar.
E odiar, porque a espera é demasiado longa.
Odiar isso que me faz querer, porque não quero querer nem esperar.
Esperar pelo que quero. Esperar por alguma coisa de alguém. Esperar por qualquer coisa de outrem.
Quanto a mim, me basta dar. Na via oposta de São Francisco de Assis, a quem muito prezo, não dou para receber. Dou, apenas. E me contento assim.
E não espero de volta. Porque esperar dói. Esperar é querer. Não quero querer. Nem esperar.
Nem ansiar até tudo se contorcer por dentro.
Nem querer tudo e cada pedaço.
Querer inteiro sem nem saber como é.
Querer total.
Querer querer querer.
E depois vem aquela coisa da respiração difícil e de um monte de palavras que todo mundo já usou mas que não posso evitar porque de outro modo não se explica isso que arde em mim inteira de vontade de ter e ser, de alguém que nem existe.
Porque eu não sei quem é você que eu quero.
Mas eu já quero, acho.
Mas tenho sempre esse medo de querer.
E depois do querer é o não ter. Ou pior, é o ter até que a dor do querer se torna a dor de ter tido.
Tenho sempre um medo do querer.
Porque querer é muito perigoso, porque não se sabe, porque ter medo de querer é que é o querer mesmo.


SOS

Escrevi um post chamado Matinas Laudes. Aí, fui acessar do celular pra consertar um erro, e – peças que o touch screen nos prega – simplesmente joguei tudo no lixo.

Claro que agora não consigo achar a lixeira do wordpress, de modo que sumiu mesmo! Nada pode ser tão definitivo! A não ser o número de títulos do Flamengo, por mais que eles chorem pelo que não tem direito.

Mas eu, tricolor, posso requerer a Taça das Bolinhas e pedir que, se alguém tiver recebido no e-mail (tem uns doidos que assinaram esse trem) faça e gentileza de me avisar, porque eu gostaria de obter o texto de volta. Ah! Serve também se alguém souber me apontar a maldita lixeira.