Arquivo da categoria: desenham por aí…

(quase) tudo é poesia

Há quem escreva.

Há quem desenhe.

Eu vi.

Olhos espertos. Mão ágeis.

Enrosco.


Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!


imagination is funny

Cada um rabisca o que pode no seu caderninho, né?


Luis Royo


recato

Sexo é uma coisa complicada de se abordar com alguma classe, e de modo a realmente provocar excitação. O Grande Outro se tornou tão repleto de opções pornográficas, e naturalmente a humanidade se repete tanto desde sempre, sobretudo no quesito sexo, que não há mais o que se dizer ou mostrar. Por isso, a mim, restam-me minhas digressões, sem o propósito de que sirvam a outro, exceto a mim mesma.

exatamente esta edição

Digressões e literatura. Coisa que me excita imediata e indiscutivelmente é boa literatura erótica, artigo que considero raro, muito raro. Hors concours é o Opus Pistorum de Henry Miller, raríssimo, pois creio que tenha se tornado maldito por conta de seu conteúdo em parte pedófilo. Mas eu sou umas das pessoas diabolicamente felizes por possuir um exemplar tão folheado quanto uma playboy de adolescente, já sem a capa e sem algumas páginas, graças ao manuseio frenético desde desde tenra idade.

Episódio tenso de minha vida foi quando minha mãe, horrorizada, descobriu e confiscou o livro que passou penoso tempo longe de mim, até que, atribuindo sua posse a outrem (como quando ela achou a primeira cartela de anti-concepcionais na minha bolsa, aos 16…) pudemos voltar, eu e Henry, às lides no bidê. Ai o bidê.

Prova de que o mundo torna-se cada vez mais tosco é a substituição dos bidês pelas duchinhas. Duchamp teria feito muito mais sucesso ainda se ao invés de um mictório houvesse exaltado um bidê.

Mas isso tudo é por conta do seguinte: esta noite estava olhando minha pequena coleção de desenhos eróticos. Gosto dos vintage, dos antigos. Gosto dos postais e gravuras eróticas de um tempo onde um ombro esquecido de fora continha todo o tesão do mundo.

E então, deparei-me com Zichy, um húngaro deliciosamente safado que viveu o auge do século XIX. Artista engajado que em dado momento foi para Paris, e, bom, a água parisiense deve induzir à putaria, porque é tiro e queda, o cara vai para Paris e torna-se imediatamente devasso. Por isso é que eu evito cuidadosamente aquele antro. Bom, mas foi lá que o engajado Mihály Zichy produziu suas gravuras eróticas que acho excelentes por sua qualidade estética – me lembra Dorè, ilustrando algo mais que fábulas de La Fontaine – ousadia, espontaneidade, autenticidade e despudoramento total. Além de tudo o cara usava barba, só pra me deixar nervosa.

Zichy é portanto excitante em termos relativos e absolutos e isso não é pra qualquer um não. Suas gravuras tem um elemento de “pegação” delicioso. As pessoas sempre estão agachadas, contorcidas, famintas e abandonadas umas sobre as outras.



conjurada….