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Por enquanto

Do nosso cotidiano, parece não haver muito mais que o odor putrefato dos leões que matamos diariamente e nos vão ficando pelo caminho. Esses cadáveres insepultos e incômodos a nos lembrar das lutas, e as lutas a nos impedir o amor.

Juntos pela vida e separados pela própria, sinto-me freqüentemente empapuçada da sua presença.

Mas então, vendo um raro filme, exaustos, anestesiados, numa noite corriqueira, eu sinto e penso, e logo, telepata, ele manifesta:

– Que saudade eu sinto de você.

Que venham leões, dragões, quimeras.


Às armas!

Trepar requer buceta molhada.

Latejando. Uns olhos vidrados, um torpor. Uma dorzinha desesperada a maltratar aquele ser que sente claramente a possibilidade do fim do mundo como o conhecemos, a depender da penetração iminente.

Entrementes, sexo é possível sem estas condições. Cumprir tabela é parte essencial da existência humana. Pode até ser legal. Tem o “pegar no tranco”, e às vezes pega-se tão bem que nem se nota que o interesse da moça cinco minutos antes era no Rodrigo Lombardi que aparecia na TV.

O que se perde, nas relações mais longas, penso, não é propriamente o tesão, mas o fato de que, contando com a trepada, a coisa começa pressupondo uma lubrificação que virá. E vem. Mas como a parada está na cabeça e não no colo do útero, já começa meio desacertado. Foco, minha filha. Foco.

Trepar tem que ser tão bom que você não consegue pensar em nada para falar a seguir. Espaços preenchidos. Necessidades satisfeitas. Mentes sãs em corpos sãos.

Se o tesão é um lapso ideológico. A boa trepada é uma falha no sistema. Bug geral. É a inércia do depois.

Percebo que em mim tem faltado este tesão que precede. Que não é aquela inespecífico que mencionava outro dia. É bem específico. É cheiro. É necessidade por aquele outro ser que está ali. E a culpa é minha. Porque o cotidiano sabota o desejo. O tatibitati o camufla e as contas para pagar, definitivamente o inviabilizam.

Exijo meu direito de morrer de tesão antes de ser penetrada e estou inclusive pensando em propor a grande marcha a favor da lubrificação extensiva cuja concentração será ali no Cine Iris, teminando nos arredores da rua Sacadura Cabral.


Ouça um bom conselho…


pingo no i

Venho por meio desta esclarecer que não, Mistake Girl não tem facebook, twiteer, nem nada que o valha.

Entendo como relacionamento, algo entre pessoas, Mistake Girl é um fragmento de uma pessoa, e você não vai querer se relacionar com um fragmento, não é mesmo? A esquizofrenia tem limite. Por isso, não tente se aproximar de quem você supõe que eu seja. Porque mesmo que você esteja certo em sua desconfiança, será bastante invasivo. Tem coisas que precisam ser espontâneas… como eu contar quem eu sou!

Mas pode chegar que o blog é seu. Comente, eu respondo, e se a gente se aproximar, e se não nos descobrirmos psicopatas, ou pior, malas, e merecermos nossa mútua confiança, eu não vou ter o menor problema em abrir a minha identidade e então, de posse do ser integral que sou, me relacionar com você.

Não zanga. É para a nossa proteção, tá? Nem que seja para a proteção da paciência, coisa que prezo muito.


inadequada

Você percebe que é uma pessoa estranha quando fica procurando uma canção onde caber. Uma pra se cantar sonhadoramente, uma que console, uma que nos faça sentir inseridos em alguma coisa. Um poema, um Hai Kai, uma marchinha de carnaval. Um funk, tá valendo. Qualquer negócio. E não acha.

Nenhum poeta escreveu a gente.

Como é que pode?


Eu vinha bem. Vinha muito bem. Atendo-me a visita a bloguizinhos picantes e conversas até razoavelmente comportadas. Mas choveu por aqui. E as pintas do leopardo ficaram à mostra, again. E essa aflição, again.

A culpa não é sua, você é um bom homem. O problema é que se apaixonou por um Leopardo.


verdade…

“Eu preciso é ter consciência
Do que eu represento nesse exato momento
No exato instante na cama,na lama,na grama
Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos..”



Gonzaguinha expõe questões sexuais de um modo até bem naif nessa canção…. mas essa reflexão acima tem TUDO A VER. É mesmo um Ponto de Interrogação.


http://letras.terra.com.br/gonzaguinha/46285/