Arquivo da categoria: fuck images

e tanto mais…

 

 

 

 

 


o que vale

 

 

 

 

 

 

 


Nela

 

Assentaria deveras bem…

 


Ok, admito.

 

É tara.

 


(quase) tudo é poesia

Há quem escreva.

Há quem desenhe.

Eu vi.

Olhos espertos. Mão ágeis.

Enrosco.


justa medida


Epifania

O carinho supremo.


Exibindo o presente…

Após a devida autorização das deliciosas partes interessadas, com muito prazer, divulgo o link das fotos às quais se refere a postagem anterior: Desencontrada, eu mesmo me contesto.

http://portaldolabirinto.blogspot.com/2011/11/boa-noite-amor-ou-para-ela-1.html

http://portaldolabirinto.blogspot.com/2011/11/bom-dia-amor-ou-para-ela-2.html

Para variar, não consegui inseri-los da maneira correta, mas aí estão! Talvez seja mais fácil ir ali no blogroll e clicar em “Portal do Labirinto”, postagens de 15/11/11.

Recomendo: não abra no trabalho…

Enjoy!


Hot Mistake

Perdão ao nobre senhor, perdão à distinta senhora que, incautos, adentram este espaço e deram com a cara nesta foto de conteúdo um tanto explícito, bem pouco comum ao espaço, e que talvez faça necessária a inserção da tarja de “proibido a menores” neste blog.

Tratava-se, porém de um desafio. E, como brasileira, precisei mostrar à nação que uma filha sua não foge à luta!

Cedi. Mesmo enrubescida, elegi, à pedidos, uma imagem. Pronto. Taí. E que não digam mais que eu desconverso.

Escolhi esta porque me excitou o ar perscrutador deste modesto pau, cheirando sua fêmea. E mais não digo.


alla fiorentina

Por uma única vez, há não muito tempo, em circunstâncias bem complexas, conheci a dor e a delícia de estar em Florença.

A esquina que resumiu minha estada na cidade...

Flanava meio ao leo pela cidade, pensando em tudo e em nada, contra a brisa gelada do Ádige em pleno inverno. Olhava os detalhes, os muitos detalhes que há para serem olhados numa tal cidade.

E foi assim, olhando mais pra dentro que pra fora, mais pra baixo que pra cima, que vi, por exemplo, os cadeados. Não se pode entrar no centro histórico de Florença de carro, então os florentinos que lá trabalham, vão com suas machinas até o outro lado do rio, atravessam à pé uma das pontes e pegam suas bicicletas que foram deixadas ali no dia anterior para este fim, e vão com elas para seus serviços, deixando em seus lugares, melancólicos cadeados, alguns com nomes pintados em esmalte, milhares de pessoas que eu podia, mas não vou conhecer. Algumas que talvez tenham morrido sem nunca trazerem de volta suas bicicletas, outras que talvez só tenham posto ali um cadeado para fazer parte da cidade desse modo tão legítimo. Se houver uma próxima vez, também eu levarei um cadeado com meu nome e colocarei ali.

Mas foi num dia, na Piazza della Signoria, cansada da fila para comprar o ingresso (para o dia seguinte!) para a Galeria degli Ufizzi Sforza, que me sentei no chão, sob o átrio da Loggia dei Lanzi, e pela primeira vez, olhei relaxadamente para cima, e o que vi foi inquietante.

Após anos vivendo em cidades onde esculturas são apenas monumentos públicos, de mais valor simbólico do que artístico, nós, seres urbanos do novo mundo, achamos que é só isso que elas são, algo por que passar sem dar muita atenção.

Eu já tinha conseguido romper este paradigma, quando, por volta dos 20 anos, descobri a fonte em frente à Candelaria, no Rio. Uma escultura de uma “Mulher com Ânfora”, a quem chamo intimamente de “Laura pedindo água”. Jamais consegui passar por ela incólume, é a mulher mais linda que eu já vi. Sempre, sempre olho pra ela quando passo, em muda reverência. Adoro a posição envergada, o pano pudicamente escorrendo pela pélvis, o modo suplicante como segura a ânfora, os seios, os ossinhos do quadril, enfim, acho Laura um tesão.

Em Florença seria um pecado encarar tantas esculturas sob essa ótica do novo continente. Seguir a lógica comercial dos vários turistas que por ali caminhavam às cegas, mais interessados nas pechinchas do couro vendido no Mercado, a poucos metros.

Então eu quis parar com calma e concentração, esperando saber receber toda aquela beleza, e foi muito mais do que isso que recebi. Foi uma consciência de mim, para além daquilo que aprendi na escola, na faculdade. Foi uma percepção, in loco, da força transformadora daqueles homens fantásticos que Renasceram, Humanizaram.

Tinha em mente que aquelas eram esculturas feitas num momento em que o homem descobriu que podia ser e ter tudo. Podia matar o gigante, e ser ele mesmo um gigante, como o Davi, de Michelângelo, que não me deixaram fotografar, e por isso não coloco aqui.

Ali, naquele atrio, vi representações grandiosas do homem-força que se forjava naquele momento e que nos construiu a todos, no ocidente.

Foi Benvenuto Celinni quem cinzelou Perseu, que de espada em riste exibe, orgulhoso, a cabeça de Medusa. Ela está firmemente subjugada sob suas pernas musculosas, lânguidamente contorcida sobre uma macia almofada, totalmente entregue, aos pés de Perseu, que embora firmes são suaves sobre sua barriga nua, ele parece estar acariciando-a. Apesar de seus lindos e pungentes músculos, ela perdeu a cabeça para aquele homem. Morte gloriosa, a de Medusa. Se Perseu era astuto, como se crê que tenha sido, deve ter tido um surto de necrofilia no momento seguinte a este, retratado por Cellini.

é MINHA

Sensacional um tempo em que, despidos de tudo e munidos no máximo com um tacape, lutávamos com sátiros, seres bestiais cujos torsos se torciam sob nossa força e superioridade, porque éramos – enfim – o centro do universo, e que se atrevessem a nos queimar em uma fogueira por sabermos disso!

swing

Aqueles não eram definitivamente os homens desse início de século em que vivemos.

Como sou muito ligada em detalhes, um que contribuiu muito para o meu momento de transe erótico, foram estes aspectos da escultura em que Menelau segura Pátroclo nos braços. Pés e pernas masculinos, musculosos, toscos, ríspidos, áridos, entrelaçados, em uma lógica de domínio e submissão. Fiquei muito intrigada, porque como sabemos, Patroclus era o bofe de Aquiles, morto por Heitor, (o que aliás despertou a famosa Ira de Aquiles e o subsequente barraco da destruição de Tróia… ao fim, tudo se trata de sexo, afinal!). Fiquei me perguntando o que estaria Patroclus fazendo nos braços de Menelau. Preciso estudar isso, mas se alguém souber, queira por favor me esclarecer.

E há ainda esta escultura, especial demais de (somente!) Gianbologna, que é o Rapto das Sabinas.

Cabe aí uma breve explicação do episódio. Roma havia acabado de ser fundada por Rômulo (aquele, gêmeo de Remo, os que mamaram na Loba, lembra?) e lá só habitavam soldados. Bem, por mais que o bissexualismo fosse uma prática deliciosamente corrente, eles precisavam de mulheres, certamente a coisa tava meio boring, além do que, afinal, tinham que povoar a nova cidade. Eles perguntaram aos sabinos, povoado vizinho, se poderiam gentilmente ceder suas filhas e viúvas para cumprir esta difícil missão. Os sabinos… negaram. Aí, houve um grande festival aos deuses e vários povoados estavam presentes. Os legionários de Rômulo se espalharam e ao sinal deste, cataram a mulherada e as levaram para Roma. Diz Lívio, o historiador que conta o caso, que após o rapto elas puderam escolher entre ficar ou não e que lhes foram oferecidos benefícios como propriedades e a promessa, máxima, para o momento, de que seus filhos seriam homens livres. Elas, docemente constrangidas, foram ficando, e assim se povoou e consolidou Roma, e por isso o rapto das Sabinas é um episódio tão importante.

Agora, a despeito do que houve depois, o primeiro momento, o do rapto deve ter sido de trauma e horror… e isso talvez esteja retratado nas representações medievais do mito, mas não aqui, não no renascimento, não em Florença.

O que vemos nessa escultura é novamente, a força do homem que quer e faz, o homem que se descobriu sol e músculos, um homem com a potência de carregar para si, de uma tacada, três mulheres, as três em súplica, diante da força e ameaça daquele homem formidável, elas mesmas magníficas, um momento de sensual brutalidade, seus corpos enroscados, misturados, lindos.

mènage

Bem, não sei, uma mente menos pervertida e menos ligada em arte e história do que a minha, talvez tivesse apenas se deixado extasiar pela refulgente beleza daquelas peças. Mas eu, ser eminentemente sexual, nas mais recônditas acepções do termo, fiquei ali, em abandono e êxtase, por um tempo que me pareceu eterno, olhando aquelas posições, veias, renascimento, músculos, arte, potência e sentindo minha calcinha umedecer. Não por aqueles homens, não por aquelas mulheres. Mas por valores que trago em mim, e que não encontram eco.