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de nó de gibeira, o jiló

Eu não sou amiga nem do Chorão nem do Chavez. Mas a coincidência de data entre as mortes dos dois – o inesperado no bojo dos autos – me fez pensar (eu, pessoa à toa) no pitoresco da situação. Obviamente  nenhum deles relacionava o fim do outro a seu próprio fim, e quando o Chorão ouvia um discurso inflamado do Chavez não poderia ele saber o quão intrinsecamente estavam ligados seus destinos. Sendo o contrário bastante improvável, ante o absurdo vislumbre de estar El comandante ouvindo Charlie Brown Jr. Mas um lado nos basta para o efeito demonstrativo que aqui me servirá de exemplo.

Gosto da palavra “destino” porque ela é dúbia. Se de um lado seu significado mais comum remete ao inexorável, por outro, ela é da mais absoluta liberdade. Uma flecha lançada é destinada, destino como lançamento, catapulta, para outros horizontes mais felizes.

Caetano pergunta em “Cajuína”, canção de meus afetos: Existirmos, a que será que se destina?

A que será que se destina? E as vidas possíveis a que não nos destinamos? E as vidas paralelas, flechas, como nós, que caem no mesmo minúsculo ponto do alvo imenso da existência, ou da inexistência? Se soubesse do laço funesto que o unia a Chavez, teria Chorão andado por outros caminhos, ou apenas vigiado, cioso da saúde do Camandante? Que divertida brincadeira das parcas a fiar o meu, o nosso breve pulsar. A que vidas outras terão elas entrelaçado o fio desencapado que me serve de guia pela mina escura e funda, o trem da minha vida?

Mas essas inquietações são nível básico, eu sei. Ainda assim, tocam-me.

Hoje, este blog chegou ao modesto número de 40.000 acessos.

Queria poder dizer à pessoa que eu era quando dei à luz, Mistake Girl, no dia 07 de abril de 2011, que não, não tem volta. Essa é a resposta à pergunta-flecha deste blog. Uma que lancei lá, há dois anos passados, e que hoje cai aqui neste minúsculo ponto do tempo/espaço. A pergunta a que chamei: leitmotiv. Causa primeira, o impulso no arco. SE EU FOR HONESTA, TEM VOLTA?

Não. Não tem.

Para o bem ou para o mal, não tem.

Entrei nessa brincadeira de ser honesta, terrívelmente honesta, cruamente honesta. E fiz deste espaço um fio tão desencapado quanto minha própria existência temporal e aqui contei de mim, bem mais que de mim sabia. E as parcas, sempre à busca de galhofas com as almas que vagam, corpóreas, por este estranho vale, voltaram para mim seus olhos zombeteiros e suas mãos em febril tecelagem, bordaram, livres e caprichosas, meus rumos.

Rumo, flecha, destino.

A minha vida e a sua que me lê agora, e a cada vez em que fez isso, entrelaçadas por este único instante, em que colidimos no éter, sob os auspícios de todos os deuses que há.

Pagãos,  dancemos ao redor de uma grande fogueira a comemorar as colisões.

A minha vida e a daqueles com quem terei a solitária honra de dividir o dia de minha morte.

Entanto, 40.000 acessos atrás, eu não sabia.

Queria acariciar meus cabelos curtos e dizer com voz macia que eu não me afligisse tanto.

Queria contar, em tom de cúmplice fofoca, das pessoas que atravessariam aquela mulher plena de amor de desejo. Que ela esperasse, porque seria tão bom e tão forte e tão extraordinário e tão doloroso. E que a ela aconteceriam coisas tremendas perpassadas pelas pessoas cujos dedos continham cada um dos 40.000 acessos que hoje completou esse blog, uma linha temporal que ela construiria sem saber.

Nem cinco minutos guardados dentro de cada cigarro. Nem 40.000 acessos guardados dentro de cada blog.

Será que se então eu soubesse que este era o número que continha a minha dobra de tempo, eu teria sido mais cuidadosa? Que poderia fazer o Chorão se soubesse de seu ocaso dividido com Chavez? Será que eu teria me preparado melhor? Será que teria doído menos? Será que eu teria sido tão absurdamente feliz?

 

Apenas a matéria vida era tão fina.

 

 

 

p.s: Obrigada a vocês, por dançarem essa quadrilha comigo. Que sigamos divertindo as parcas, pois a quem os distrai, favorecem os deuses.

 

 


apesar, contudo, todavia, mas, porém

 

 

Meu pai –  homem de considerável sabedoria – diz que a vida vale a pena de ser vivida não por outra coisa, senão pela ínfima possibilidade de uma paixão.

Tendo eu sido feita desta massa de busca pelo miolo das gentes e coisas, me é difícil manter a fleuma, quando meu fígado se encontra em permanente autofagia, e me falham pulsações, os mais breves vislumbres de meus objetos de desejo.

Nenhum toque me passa, de fato, despercebido. Um roçar de braços. É como sentir na água perfumada de um bom mixólogo, hibisco nas laterais da língua, gengibre e pimenta no centro, e no fim, o travo terroso da beterraba. Sinto cada coisa e me arrepio, com a água e o roçar. Olhos fechados, sabores me invadem, e cheiros, e sei de cada um, um tanto, e expropio-os de suas origens insiginificantes – pois que é o sabor que lhe sentem pela vida, que lhes significa a existência, distraído ouvinte, saiba.

Um brinde à minha língua curiosa e meticulosa.

Não estou em posição de requerer que a mim me saibam o gosto, que a mim me queiram saber. Mas como disse Rita Lee, e eu aqui já repeti há bem pouco tempo: enquanto estou viva e cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz. Que no fim, é o que diz meu pai – sábio: a vida vale não por outra coisa que não a ínfima possibilidade de uma paixão.

E é a crença no ínfimo – herança pela qual sou tão grata – que me faz viver com gosto.

Pois é de gosto e sabor que se trata viver.

E é por isso que  agora eu vou é cuidar mais de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Endosso

 

Alguém, em algum lugar da vasta federação, procurou algo no grande oráculo google.

O grande oráculo, muito sabido, encaminhou a pessoa para este blog.

Por causa disso, eu, olhando as estatísticas, identifiquei que este  post, já antigo, foi lido recentemente.

E fui lá ver do que se tratava. E que interessante!

Tenho a dizer que:

Sim, demorou muito a passar. Tanto, que lá se vão quase dois anos, e de fato ainda não passou.

Mas nem só de tristeza se vive, felizmente, e é com muito gosto que constato, assim, relendo a mim mesma e às minhas ingênuas aspirações, que, sabe as tais atitudes não tão simples? Tomei-as.

Meu caminho é feito de abismos. A cada passo me jogo no nada. Sem visão ou perspectiva. Vivo num quadro de Escher. E tão assombroso como ali, surge sob meus pés sólido piso, dobra do tempo, do espaço, misericórdia.

E se estou triste – e estou – estou também orgulhosa. E grata.

Falta só resolver a parte onde os corpos se entendem, pele quente, corpo sólido e  as outras baboseiras mais que escrevi.

Porque concordo comigo: a mágoa inviabiliza o sexo. A tristeza não.

Mas eu chego lá.

 

(E há quem ache que sabe de mim.)

 

 


Nihil

 

O problema do sexo, é tudo o que vem junto. Cansa mais que a trepada, em si.

Tem gente que faz loucuras. Tem gente que até casa.

Supervalorizada, essa parada.

E a depilação?  que tá pela hora da morte… sei não.

Ando pensando em comprar um chiuaua. Vou chamá-lo de Onofre. Soa bem.

Quase posso me escutar gritando pela casa Onofre, Onoooofre (a mão pousada na testa, Onoooooofre!)…. será preciso gritar muito para achar um chiuaua por aí. Convém um nome cuja sonoridade satisfaça.

Ando pensando em estudar o uso da hiperbole nos discursos de Fidel Castro.

Haja o que houver, não desodorize seu corpo e nem escamoteie seu cheiro. Cheire a você. Deixa que eu te cheire.

Ando pensando em me tranformar em líquen.

Adoro a palavra “líquen”. Líquen. Musgo. Aniquilar.

Flamboyant.

Palavras são tão bonitas.

O problema com o sexo é a porra toda que não serve pra nada.

Bom era se a gente se ativesse ao cerne da questão.

Odeio a palavra “crosta”. Pior, só “asco”.

Odeio quando eu não sei de onde vem uma palavra e não sei como se fala. Antúrio é o ignorante tentando falar antúlio? E croton? E Creuza? E faixo, o tal que se deve sossegar? E as coisas que eu evito escrever porque não sei como se escreve? Agora não me lembro de nenhuma.

É assombroso pensar nas coisas que passam pela vida só porque não nos lembramos delas nos momentos apropriados.

Cada coisa de que não me lembrei é uma janela para outra dimensão. E eu não fui convidada.

Para onde vão as meadas cujos fios perdemos? Preocupo-me muito em saber para onde é que vão as coisas que iam sendo e não foram. Fazem-me imensa pena.

É triste que ele tenha me ensinado que os nódulos nas árvores urbanas são degenerações grotescas. Eu gostava de me sentar sob o jambeiro do Palácio do Catete.

Nunca mais Glaziou. Nunca mais drink no dance.

Isso tudo é quase tão cansativo quanto as coisas de que o sexo se faz acompanhar.

Jamais pude suportar menta.

Sinto-me melhor se me abano com um leque. Onofre. Onooooofre….

O que não se faz por uma trepada.

 

 


Mistake Malafaia Girl

Sexo é uma coisa que pode simplesmente não acontecer.

Você pode se apaixonar por alguém. Se derramar em amores.  Querer conhecer todos os sobrinhos. Achar linda, a pessoa. E pode, contudo, não querer trepar.

E não é culpa de ninguém que seja assim. A coisa complica e começa a envolver responsabilidades se as partes não são capazes de ter clareza quanto ao fato, e assumi-lo. Como tudo o mais, aliás.

Dependendo do nível de patologia emocional, essa é uma situação que pode se arrastar por anos, até que ou a parte desinteressada assume o desinteresse, ou a parte negligenciada finalmente compreende o que está acontecendo. Ou ambos se jogam da janela por tédio e frustração.

Seja como for, é uma situação delicada que pode criar traumas horripilantes em ambas as partes.

A raíz disso talvez esteja na dificuldade que temos em perceber o que realmente sentimos (e não, essa frase não foi pinçada da Marie Claire). E em outra via, entender qual é a visão objetiva que as outras pessoas têm acerca de nós. De nosso corpo, e também, como aprendi hoje de fonte inesperada e deliciosa, de nossa cenestesia (na verdade eu só precisava usar a palavra antes que esquecesse o significado, mas calhou bem).

Posso afirmar, com toda a segurança que minha bipolaridade permite,  que desejo não é algo que se construa. A parte desinteressada não conseguirá simular por muito tempo o olhar sobre a parte (para ela) desinteressante, que, por sua vez, tenderá a não acreditar na situação, que pode ser dramaticamente humilhante para a estrutura emocional de qualquer cristão, em especial se a recíproca não for verdadeira, como soe acontecer. E, fatalmente para todos, a verdade vai sendo escamoteada, com o prejuízo do tempo e da sanidade de todos os envolvidos.

Enfim, bem-aventurados aqueles que estão certos do próprio sex-appeal. Deles, literalmente, é o reino dos céus.

Contudo, mesmo para esses, vale uma reflexão um pouco mais detida quanto à sua auto-imagem. Ou não, porque de fato a ignorância é uma benção.

Tudo isso para dizer que não importando como você se pareça, ou como te fazem pensar que você se parece, creio firmemente que há um sapato velho para todo o pé cansado. Eventualmente mais de um par.

Questão de pôr a cabeça no lugar e começar tudo de novo.

Espero que tenham apreciado o momento auto-ajuda. Um oferecimento do Sindicato dos Condutores de Bondes para o amigo ouvinte, com o apoio do Rhum Creosotado.


Hecatombe

Eu tenho pra mim que o mundo corre sério risco.

Talvez tenha havido um equívoco na interpretação do calendário Maia.

Possa ser que o dia marcado, no fim de dezembro, seja aquele em que umas mulheres – carecia nem de serem todas – descobrirão num rompante, quem sabe até se por medo do fim do mundo, como é bom dar pra mais de um homem.

Porque meus amigos, era só o que faltava, ser do conhecimento público, a sensação de dar, dar de com força para um elemento. E aí, assim, sem mais parcimônia, com a buceta formigando, dar para outro elemento, que te come diferente daquele primeiro. E, exausta, deixar-se quedar entre eles.

Não tinha jeito do mundo não acabar. Deve ser por isso que instituíram a monogamia.

Mas os cabras têm que ser bons… do contrário, acaba do mesmo jeito, que a mulherada é capaz de incendiar a porra toda. Donde se conclui que de um modo ou de outro, seja por vontade dos Maias, seja por excesso de paus, seja pela falta deles, é o fim. Arrivederci.

Questão de decidir se acaba em gozo ou ódio histérico.

Se é a buceta que move o mundo. É pelos paus que ele se acaba. Estou certa.

E preocupada. Não com o mundo, mas de não dar tempo de comprovar mais a teoria.

Não fosse o medo de ficar mal falada, abria até inscrições.

E por hoje é isso o que eu tenho a dizer.

That’s all, folks.


Dos dizeres fundamentais

 

Não há mulher, por pior que seja, que não mereça uma dentada.

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Da mais pura singeleza: quem não tem cu, não faz trato com pica.

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A lei do Islã é clara: se tomares uma segunda mulher, todo o benefício que concederes a uma, igualmente à outra deverá ser concedido.

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Sinais de uma vida sexual interessante:

1. unhas curtas

2. peles com espinhas e manchas que não se curam porque essa história de passar a noite com um creme na cara é coisa de quem não fode, vamos combinar.

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Orgias II  –  Organização para a Integração do Amor e do Sexo :

Se outro te sucederá o lugar, não lambuzes o prato.

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p.s: compram-me pela corcova de um camelo.

 

 

 


 

Buceta é uma coisa que, pra ser funcional, tem que ter a propriedade de dragar, através de sucção fisiológica.

Se explicassem isso pra gente na escola, era bem mais fácil, porque o treino tem que começar cedo. Mas não, fica aquele engodo de ache o delta, o que é um igarapé, quem foram os ostrogodos, o escambau.

As pessoas nunca falam do que realmente importa. E passamos a vida tergiversando. E

muita gente há, que no fim das contas, não entendeu direito pra que servem as coisas mais básicas. Muito triste isso.

Tava pensando, só…

Ai, ai.


Das poucas coisas que sei…

 

1. Eu não mereço um beijo partido;

2. Eu não gosto de quem me arruina em pedaços.

 

Não devo esquecer nunca das poucas coisas que sei. Razão pela qual registro-as, devidamente.

 

 

 


Alegria que me deu…

 

Não é que eu tenha abandonado o blog. De modo algum.

É que às vezes entro em letargia literária.

Eu penso em forma de texto. Mas vez por outra passo por um período em que as palavras perdem o sentido poético dentro de mim, brigam, acenam com a medida do Bonfim e  vão embora.

É porque eu preciso de beleza.

Palavras e mulheres não suportam a aridez.

E por isso é que assim, numa milonga porteña, ouvindo um bandoneon, de repente, elas vão voltando, esgueirando-se , lúbricas…

Palavras.

É bom fazer as pazes.